“13 Reasons Why”

Posted: segunda-feira, 5 de junho de 2017 by Emmanuel do N. Sousa in
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por Emmanuel do Nascimento Sousa

Quantos termos não serviriam para adjetivar uma das séries mais comentadas disponibilizada recentemente pelo ‘streaming’ NETFLIX?! Tensa... Densa... Chocante... Perturbadora...

13 Reasons Why” - e suas fitas cassetes - poderia ser mais uma série que reverencia o saudosismo oitentista, como a também famosa “Stranger Things” da mesma produtora mas, ela é muito mais que isso!

Em uma visão contextualizada, não dá para assistir o desenrolar da trama e, como qualquer outro entretenimento do gênero, desprezar sua narrativa e não fazer com que os fatos ali demonstrados não sejam frutos de discussões em nossos meios sociais!

Somos pais, hoje, mas nos reconhecemos em várias situações ilustradas ao longo dos episódios, coisas que sempre fizeram parte do nosso cotidiano escolar; grupinhos, rivalidade, timidez, concorrência, vaidade e, principalmente, o hoje tratado como ‘bullying’. No entanto, sob a perspectiva da atualidade, onde a difusão de tudo isso gera repercussão fora das quatro paredes da escola, através das ferramentas de discussão social, gerando o ‘cyberbullying’!

Nossa geração e as anteriores, sempre souberam lidar com essas questões, alguns se defendiam, outros se vingavam, alguns ignoravam e, resolvendo-se ou não, a vida seguia, porque ao voltar pra casa, nada disso nos acompanhava...

O ‘puzzle’ montado ao longo dos episódios de ’13 Reasons Why’ coloca o telespectador em um instigante desejo de montar todas as peças e decifrar todos estes motivos, que levaram uma garota a cometer suicídio em uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, sendo ela a narradora de toda a ação da série, em 07 fitas cassetes, gravadas por ela, explicando os motivos que a levaram a tomar a drástica decisão.

A abordagem do contexto que levou a jovem a tirar sua própria vida, espelhado no modo de vida americano, pode não ser o mesmo ao qual, freqüentemente, expõem-se os adolescentes brasileiros mas, em sua maioria, são temas que estão presentes em nosso dia-a-dia, mesmo que de forma analógica, e precisam ser discutidos, profundamente, em nossos espaços de formação social, moral e educacional.

Algumas críticas livres trataram o conteúdo como uma expectativa de fraqueza da nossa atual geração de adolescentes, em não saber lidar com questões do cotidiano escolar, outras taxaram o roteiro como uma instigação ao ato do suicídio, ou que este seria a fuga para todos os problemas... No entanto, recebo esta série como um alerta para que nós, pais e mães, tenhamos mais atenção com a vida dos nossos filhos fora do ambiente doméstico e isto inclui o ‘cyberespaço’, onde muitas discussões começam, terminam, ou se perpetuam!

Não temos que comparar a forma com que lidávamos com nossos ‘monstros’ em nossa época, temos de ensiná-los a enfrentar os desafios diários de uma vida cada dia mais voltada a um convívio virtual, que muitas vezes fornece um encorajamento ausente no meio físico.

Como telespectador, somos encaminhados a entender como cada personalidade, das 13 envolvidas, conspiraram direta ou indiretamente para o abalo emotivo da personagem principal e, claro, como tudo poderia ter sido diferente se (ah, não podem faltar os “se”!) um, pelo menos um, desses 13 jovens tivesse tomado uma atitude diferente para com a protagonista: Clay Jensem, o ‘mocinho’ da trama que teve medo de assumir seu amor e que, nem por isso, ou por isso mesmo, estava em uma das fitas; era um dos ‘por quês’!  

“13 Reasons Why não é uma série agradável de se assistir: não poupa o espectador ao mostrar, sem disfarces, cenas de estupro (essas múltiplas vezes) e um dos suicídios mais sangrentos que já vi na televisão. As questões levantadas por 13 Reasons Why são vitais e podem inspirar valiosas discussões entre pais e filhos.” (João Abbade, site Jovem Nerd)

Ademais, fica claro que a personagem Hannah Baker, ao longo da sua exposição dos fatos, em momento algum, demonstra qualquer distúrbio psicológico. Existe, sim, um crescente conflito sobre a desconstrução de uma jovem a partir de atitudes vis e do mau-caratismo intrínseco no estereótipo de alguns dos conhecidos ‘valentões’ do ensino médio.  Transparece que sua intenção era demonstrar, para todos os envolvidos, como cada um contribuiu em culpa para sua drástica atitude, além de envolver a escola nesse rol de ‘whys’, já que a instituição também se fez presente em um dos 13 motivos, levantando uma das questões do drama se a escola teria responsabilidade sobre o fato ocorrido, por via da omissão.

A série não teve a intenção de tornar o suicídio como foco principal mas, de nos fazer pensar e atentar que cada atitude tomada tem uma conseqüência, que o universo adolescente é vasto e vai muito além do ir e vir entre nossas casas e suas escolas. Vários transtornos de comportamento estiveram presentes na trama e, deles, cada um representou uma das razões elencadas nas gravações de Hannah Baker, que encontrou no personagem Clay Jensen o paladino da sua justiça.

Aliás, o enredo nos leva a formar o par romântico Clay-Hannah. Em alguns momentos até nos pegamos torcendo por eles... sic! Não dava pra esperar um final feliz entre eles porém, Clay tratou de promover para ela um final justo.

No mais, é uma série com estética simples e muito bem executada, que prende o espectador episódio após episódio, sem alívio cômico, sempre deixando a expectativa pela próxima fita, nos levando para um final já esperado, e infelizmente, inevitável.

"Se Deus Me Ouvisse"

Posted: terça-feira, 3 de janeiro de 2017 by Emmanuel do N. Sousa in
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“Perfeição caracteriza algo ideal que reúne todas as qualidades e não tem nenhum defeito, e designa uma circunstância que não possa ser melhorada.”

Conceitualmente é assim que concretizamos o que vem a ser a perfeição!

Na arte musical, a perfeição envolve alguns elementos tais quais voz, afinação, melodia, ritmo, harmonia, canção... elementos majestosamente presentes nesta interpretação à quatro vozes, presente na música “Se Deus me Ouvisse”, composta por Almir Rogério, cantor famoso por músicas como ‘Fuscão Preto’ e ‘Estrada da Vida’, sucessos nos anos 70.

Sandy, uma das mais belas vozes femininas do Brasil, conduz de forma consagradora esta canção junto a Xororó, sobre as nuances em segunda voz de Chitãozinho e Júnior, em um espetáculo emocionante de excelência artística, e sem esquecer a base orquestral que deu ares de 'Clássico sinfônico' a um grande sucesso da música popular brasileira.