“Se eu pudesse viver minha vida novamente...”

Posted: terça-feira, 6 de setembro de 2016 by Emmanuel do N. Sousa in
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Certa vez li um livro do Rubem Alves, de título “Se eu pudesse viver minha vida novamente...”, presente da minha esposa, que tem tudo a ver comigo, um saudosista convicto!

Mas, hipoteticamente, se eu pudesse mesmo viver minha vida novamente, ou parte dela, que fosse o ano de 1994! Aquele ano!!!

Foi lá que senti, pela primeira vez, os três maiores sentimentos que podem preencher o âmago de um ser humano: dor, alegria e saudade.

1.: A experiência de sentir a dor pela perda de um ídolo, ainda que muito distante mas, figurava como o herói das manhãs de domingo; em uma dessas manhãs, em 1º de maio, um acidente em plena prova da Fórmula 1, morria o piloto Ayrton Senna.

2.: A expectativa renovada em mais uma Copa do Mundo foi recompensada, em 17 de julho, com a conquista de um título até então inédito pra mim, me fazendo experimentar a maior explosão de alegria já vivida no famoso tetra campeonato da Seleção Brasileira de Futebol.

3.: Já no segundo semestre, e aos dezessete anos, era difícil aceitar que naquele ano se encerrava um ciclo de mais de uma década de convivência no ambiente escolar e que, ao final daquele período, a freqüência ao Colégio Alfredo Dantas e todos os elementos que circundavam o cotidiano escolar deixaria de existir pra sempre... 

Eis que, em Dezembro, se concretizava o último encontro daquela turma de amigos, alguns alunos daquele educandário desde sempre, outros que foram incorporados ao longo da formação escolar básica e, este evento, principiou o surgimento da saudade que persiste em me acompanhar por todos os dias da minha vida, nos últimos vinte e dois anos!

Certo que a vida me apresentou a outras dores piores, outras alegrias maiores mas saudade, a saudade é única. Não dosamos qual maior, ou menor saudade, apenas sentimos indistintamente!

O peso da palavra saudade é tão grande, que não permite nem tradução para outras línguas. De certo que só sentimos saudades das coisas boas que nos aconteceram, daquilo que nos marcou, de todas as coisas, momentos e pessoas que queríamos ter, sentir e viver novamente.

Se existe uma vida após a morte, que seja eterna, mas que me transporte para o ano de 1994...

2 comentários:

  1. Soahd says:

    Em Abril de 1994 tinha meu primeiro filho nos meus braços, vi a morte de Airton Sena enquanto embalava ele para dormir numa manha de domingo, vi o Brasil ganhar a copa, e considerei pé quente...e ali surgia a guerreira Soahd, que foi transformada pela condição de mãe que surgia em mim, um bom ano para ser lembrado.

  1. Josélio says:

    Meu irmão em amizade Manneh, tu podes passar décadas sem escrever nada, mais basta apertar a primeira tecla que somos presenteados com um sublime texto.
    Também sinto falta dessa época, lembro-me das lágrimas que derramei naquela manhã de domingo, lembro de minha saudosa mãe, Dna. Inácia me confortando. A alegria quando o Baggio errou aquele pênalti.
    Mas fo que sinto mais saudade, o que faz meu coração dar uma apertada forte, é a presença da minha mãe, a despreocupação com os problemas de adultos e as visitas de um grande amigo, devo dizer, de meu MELHOR & ÚNICO AMIGO, você Manneh. Que nunca se importou, ou fez bullying por eu ser cadeirante e pobre. Sinto falta das conversas sobre HQs, desenhos e filmes, sinto falta do encontro marcado uma vez por ano,sempre na tarde do dia 01 de Janeiro, para tomar 02 garrafas de cerveja. Se pudesse voltar no tempo e reviver novamente, eu escolheria qualquer ano.entre 1988 e 1996.
    PS: Como viu, não te chamei de "Véi Oitentista" pq no fundo... Eu também sou. Um grande abraço, e quando menos esperar estarei em CG novamente.