O Trágico Destino de Rebecca Schaeffer

Posted: quinta-feira, 31 de março de 2016 by Emmanuel do N. Sousa in
1



Determinada noite, zapeando pelos canais de TV, em momento de indefinição sobre o quê assistir, me deparo com um dos programas do canal Investigação Discovery, o ID no Brasil, que trazia em seu título “Destino Macabro”.
 
Apesar do título tendente ao gênero Terror na classificação cinematográfica, o documentário tratava de um desses crimes com motivos banais, que abalam toda uma sociedade, principalmente porque a vítima era uma figura conhecida, uma jovem atriz, em início de carreira, e de grande empatia com o público americano.

Rebecca Schaeffer surgiu na TV aos 19 anos, co-estrelando a série do canal CBS “My Sister Sam” (exibido no Brasil pela TV Record com o título “Minha Irmã é Demais”), no ano de 1986. O perfil da personagem Patti Russel caiu no gosto popular e o sitcon se tornou um dos programas de maior audiência da emissora em seu ano de estreia, lhe rendendo mais um ano de produção.

O sucesso de Patti fez com que Rebecca se tornasse uma atriz conhecida e, como de costume, despertando o interesse de fãs que lhe rendiam cartas e mais cartas enviadas aos estúdios, que ela respondia passivamente e pessoalmente, correspondendo o carinho com atenção personalizada.

Em aposta arriscada e, consequentemente errada, a emissora CBS mudou o horário de exibição da série “My Sister Sam” para concorrer com outro grande campeão de audiência de outra emissora. O insucesso obtido com a decisão levou ao cancelamento da série.

Colecionando pequenas participações em filmes de pouca expressão de crítica, Rebecca, já no ano de 1989, consegue marcar uma importante audição com o diretor Francis Ford Coppola, para interpretar a personagem Mary Corleone (o papel ficou com Sophia Coppola), no filme “O Poderoso Chefão III”.
No dia 18 de Julho de 1989, Rebecca esperava em sua casa o roteiro da audição quando lhe tocaram a campainha. Na ânsia do aguardo, ao abrir a porta, dá de cara com Robert John Bardo, um desconhecido, que lhe dispara um tiro de revólver no coração, que lhe ceifou a vida poucas horas depois...

Visivelmente perturbado, Robert Bardo foi encontrado algum tempo depois perambulando nas ruas. 

Robert Bardo
Foi levado pela polícia onde, em depoimento, confessou o crime. As investigações relatam que Bardo desenvolveu uma paixão platônica por Rebecca desde que a viu pela primeira vez na série “My Sister Sam”.  Em sua casa encontraram várias fotos, cartas, um altar em que cultuava Rebecca Scheaffer e, ainda, foram encontradas algumas cartas ameaçadoras nunca enviadas para a atriz; que faleceu incauta, vítima de um psicopata social, sem ter tido chance de se precaver às ameaças que a fama e a exposição pública trazem às celebridades.


Apenas contextualizando, no Brasil, houve uma comoção semelhante, quando em 1992 a atriz Daniella Peres, também jovem e emergente, foi cruelmente assassinada e gerou uma expectativa nos brasileiros até ser descoberto que um dos autores do crime foi seu colega, par romântico na novela ‘De Corpo e Alma’, Guilherme de Pádua, com o auxílio da sua esposa, Paula Tomaz.

Em ambos os casos, campanhas de iniciativa popular fizeram surgir Leis mais rigorosas voltadas à prevenção de novos crimes semelhantes. Nos EUA foi aprovada uma Lei chamada “anti-espreita” que, dentre outros itens, impede que órgãos públicos forneçam dados pessoais à terceiros, já que foi dessa forma que John Bardo conseguiu o endereço de Rebecca Schaeffer. No Brasil, foram coletadas 1,3 milhão de assinaturas, com o objetivo de alterar o Código Penal, de forma a incluir o homicídio qualificado no rol dos crimes hediondos, projeto que se torneou Lei em 1994.


1 comentários:

  1. Mostra onde pode levar um fanatismo doentio.