SESQUICENTENÁRIO DE CAMPINA GRANDE... O que esperar das Comemorações?!

Posted: quinta-feira, 30 de janeiro de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
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(*) Texto Originalmente publicado na Revista Êxitus, mês Outubro/2013

por Emmanuel Sousa

Campina Grande entra, definitivamente, na contagem regressiva do último ano para o seu Sesquicentenário, quando em 11 de Outubro do ano vindouro comemorar-se-ão 150 anos da sua Emancipação Política.


E, diante da magnificência que foram, cinqüenta anos atrás, as comemorações pelo primeiro Centenário, ficamos na expectativa do quê será realizado para registrar na História este marco que está para ser alcançado em 2014.

Certos, até agora, de que estamos muito atrasados no que diz respeito às discussões sobre o assunto, uma vez que os preparativos para o aniversário de 100 Anos, ocorrido em 1964, tiveram início três anos antes! No ano de 1961 o então prefeito Severino Cabral criou a “Comissão do Centenário”, que foi responsável pela organização de diversos eventos e inaugurações de obras que marcariam a celebração da data.

Efetivamente, a Comissão do Centenário só dispôs de verba para iniciar suas atividades no ano de 1962, por intermédio de uma emenda orçamentária apresentada pelo deputado federal José Joffily Bezerra, que lhe destinou Cr$ 700.000,00, haja vista por descuido, a peça orçamentária da Prefeitura Municipal para o Exercício 1962 não lhe destinou dotação.

Várias atividades foram desempenhadas pela Comissão do Centenário. A intenção era proporcionar um evento inesquecível para os campinenses e convidados, não só na data propriamente dita do aniversário, 11 de Outubro, como em todo o ano - à exemplo da ação sócio-educativa realizada em parceria com os Diários Associados na intenção de diminuir o índice de analfabetos na cidade. Para isso, foram lançadas as “Escolas Centenárias”, que funcionavam à noite, alfabetizando adultos, entre eles, operários e domésticas.

Uma das lembranças arquitetônicas que marcou o aniversário dos 100 anos é, sem dúvida, o Monumento aos Pioneiros, assentado às margens do Açude Velho, na área denominada Parque do Centenário. Em seu conjunto, o monumento apresenta três grandes estátuas; sendo uma dedicada aos índios, outra feminina representa uma coletora de algodão e mais uma estátua dedicada a figura dos tropeiros.

Pasmem, antes de aprovada esta homenagem, uma das sugestões apresentadas propunha a estátua de um burro na entrada da cidade, como forma de reconhecimento ao “elemento que mais contribuiu para o nascimento da civilização brasileira”1

Além da Comissão do Centenário, foi criada a Comissão Cultural do Centenário, só para tratar das questões culturais, já na curta gestão do prefeito Newton Vieira Rique, em 29 de Abril de 1964, composta por Maria de

Lourdes Passos, José Elias Barbosa Borges, Raymundo Asfora, Severino Bezerra de Carvalho e, chefiando a Comissão, a intelectualidade do ex-prefeito e historiador Elpídio de Almeida.

A “CCC”, como fora chamada a Comissão Cultural, cuidaria da publicação de livros, encontros literários e filosóficos, palestras, mostras de teatro, cinema, música e dança.

Uma das iniciativas da CCC foi a publicação da “Revista Campinense de Cultura”, com o intuito de divulgar e registrar na História parte da produção literária de alguns campinenses ilustres que puderam aproveitar a chance para, através de prosa ou verso, contribuir com a produção textual disposta nesta edição especial, a nº 01, do Ano I.

Lourdes Ramalho, José Lira e Vasconcelos, Anésio Leão, Raymundo Asfora, Elpídio de Almeida, Cristino Pimentel, Epitácio Soares, Maciel Malheiros, Severino Bezerra de Carvalho, Dilermando Luna, Orlando Tejo, Horácio de Almeida, Ascendino Leite, Ruth Almeida, Samuel Simões, Severino Luna Pequeno, Everardo Luna, Lopes de Andrade, Antonio Mangabeira e Francisco Maria Filho, além de José Américo de Almeida com seu escrito “O Nego” - que ‘fechou’ a obra -, foram os detentores do direito a eternizarem suas composições textuais na Revista Campinense de Cultura, em Outubro de 1964.

Os autores tiveram liberdade para produzir da forma que lhe aprouvesse seu material disposto na Revista. Houve memórias, biografias, sonetos, enfim, até sobre cerâmica de barro escreveram!

Diante do exposto, atualmente Campina Grande conta com várias revistas com edição, publicação e distribuição local; uma em especial com conteúdo exclusivamente literário, a Revista Blecaute. Certamente, no âmbito textual, o Sesquicentenário da Rainha da Borborema pode ter a certeza de uma ampla cobertura, que contará com excelentes escritores, mestres na arte de construir idéias no contextualizado uso das palavras.


1 Diário da Borborema, 15/01/1963 – Coluna “Instantâneos”, de Epitácio Soares

Fonte Consultada: “A FESTA DO CENTENÁRIO DE CAMPINA GRANDE OU A CRIAÇÃO DE UMA IDENTIDADE COLETIVA”. SOUZA, Antonio Clarindo B. de. 2004.

1 comentários:

  1. walmir chaves says:

    Reconheço a Noaldo Dantas, Dr. Stênio e meu padrino de Crisma que era o vigário da Catedral e não me lembro como se chamava....rsrs