O Tempo nos fez bem?

Posted: quarta-feira, 26 de novembro de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
7

LEIA OUVINDO O TEMA INSTRUMENTAL: "SAUDADE", de Alberto Rosenblit


Por que é tão difícil aceitar que o tempo passou?! Será porque não o ‘vemos’ passar?

Nosso cotidiano é tão corrido, novas atribuições à cada dia, novos desafios, novos sonhos, novas conquistas, tudo se renova de forma cíclica à cada amanhecer e nem percebemos...

Por esta época de final de ano, em 1994, portanto há 20 anos, encerrava-se um desses ciclos não só em minha vida, como na de uma série de amigos, quando confraternizávamos o fim da jornada escolar ao término do extinto 3º Ano Científico, no Colégio Alfredo Dantas.

Hoje, tanto tempo passado, entre idas e vindas, dias e noites, casos e acasos, olho pra trás e não vejo os vinte anos que preenchem esse hiato cronológico...

Daí volto à pergunta inicial...

Será que não vivemos nossa contemporaneidade com a intensidade com a qual vivíamos quando éramos adolescentes? Vamos lá, digam-me!

Eu, realmente, não sei.

Tenho tantas lembranças que inundam meu saudosismo mas, não tenho a concretude de que já se foram passadas duas décadas; nem parece que já vivi tanto. Mesmo com tantas coisas vividas, de grande ou pequena relevância, lá se foram vinte anos desde que éramos um grupo de amigos que levava consigo os sonhos futuros, mas que, não, a adjacente responsabilidade às quais estes sonhos estariam condicionados.

Recentemente nos encontramos - alguns desses amigos de CAD -, e parecia um filme do qual demos o comando de pausa, e voltamos a assisti-lo em seguida, em outro momento sob um cenário diferente... Mas, todos lá, de lembranças perenes, de laços de amizades inexoráveis, porém todos com outras vidas e outras preocupações das quais não as tínhamos àquela época.

Daí já posso, não responder, mas contornar minha pergunta inicial; justificando que a vida é efêmera! Vivemos dia após dia, 24 horas em cada um desses dias mas, é tudo muito dinâmico. O estilo de vida das pessoas adultas, inunda nossos cérebros com inúmeras atribuições e responsabilidades nunca antes necessárias, das quais nos induzem à viver mecanicamente nossas rotinas, não percebendo os dias nem as horas que os compõem passarem. Simplesmente, fazendo com que cumpramos nossos dias, ao invés de vivê-los em sua plenitude, como fazíamos quando crianças e adolescentes.

Sendo assim, inclusive, hoje é possível entender nossos pais... Como é lastimável só passar a reconhecer suas condutas após sê-los, na mesma experiência, e não poder ter dado o devido louvor naquele tempo, no auge das práticas da pedagogia familiar!

Hoje somos homens e mulheres, pais e mães, não mais a velha turminha de garotos que riam, viviam e sonhavam. Hoje a vida nos exige que tomemos decisões, coisa que a maioria não precisou fazer na adolescência, mas que é prática diária na atualidade.

Tomar decisões nos exige fundamentos. Estes fundamentos estão, justamente, nos vinte anos passados desde que confraternizamos o final do ciclo estudantil secundário, quando inauguramos nossa vida adulta e, queiramos ou não, notemos ou não, lá estão todos os dias em seus fatos registrados, para ser consultados e lembrados, todas as vezes em que se fizer necessário.

Recontagem de Votos: O Apelo do Inconformismo!

Posted: sexta-feira, 31 de outubro de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
1


E, quando achávamos que o moído político no Facebook terminaria com o final do pleito e indicação dos eleitos, eis que começa uma insurreição democrática dos inconformados com os resultados obtidos nas urnas. 

Eu não votei na Dilma, tampouco estou nessa pegada de estrebuchar 24hs para um público cada vez menor de interlocutores ou interessados nesse palanque infindável. 

Essa ideia de auditoria nas urnas e recontagem de votos é o apelo do inconformismo. Vejamos: o resultado condisse, ou não, com o que indicavam as pesquisas?! SIM, CLARO!! E, quem é que foi entrevistado para as pesquisas, foram as pessoas (eleitores), ou as urnas, do alto da sua 'inteligência artificial'? Quem respondia era o povo, a amostragem estatística de um todo! O resultado das urnas só ratificou o prognóstico; que poderia ter sido o inverso - e ainda assim condiria, nas perspectivas das margens de erro, com o resultado previsto!

Falando francamente: fraudar urnas é coisa pra eleição de presidente de SAB! Estamos tratando de um país com dimensões geográficas continentais, onde foram utilizadas 428.894 urnas, tecnicamente geridas por profissionais do TSE sob o rígido controle dos magistrados, munidos das ‘armas’ legais do Poder Judiciário. 

Precisamos é aprender a conviver com o contraditório! 

As coisas só estão boas quando atendem às minhas vontades ou preferências?! Porque é assim que estamos vivendo neste ‘second life virtual’ que são as Redes Sociais; compartilhando mentiras, curtindo especulações, incitando racismo, discriminação, inconformismo e intolerância.

...e esse Monumento, heim?!

Posted: quinta-feira, 18 de setembro de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
2


Independente do mérito da obra, o resumo da ópera, sobre os 150 Anos de Campina Grande é um só: FICOU TUDO PRA ÚLTIMA HORA. Se vale comparar, a Comissão do Centenário foi formada dois anos antes, em 1962. Para o Sesquicentenário ninguém ousou tocar no assunto até o radialista Geovanne Santos, indignado com o ostracismo, provocar o Poder Público através do seu jornalístico matinal e a Professora Yara Lyra declarar em bom tom que NADA estava sendo programado muito menos a Comissão estava se encontrando e, pasmem, isso já em 2014!!!

Depois dessa série apresenetada via Rádio Campina FM, "rapidamente" a Prefeitura começou a se mexer: apresentou como primeiro ato às comemorações uma iniciativa do Jornal da Paraíba de lançar fascículos colecionáveis até o mês de Outubro. Depois veio a apresentação do projeto do Monumento como marco fundamental da comemoração.

Esse monumento faraônico, que não estará pronto em 11 de Outubro, se tivesse sido planejado em tempo hábil deveria, portanto, ser fruto de um certame, coisa que não houve sequer para a logomarca. Tudo foi imposto pela PMCG, sem que o próprio campinense tivesse oportunidade de participar dos eventos pré-comemorativos.

Nada de extraordinário, até agora, foi anunciado como programação do Sesquicentenário; uma corrida e uma apresentação de paraquedismo, além do lançamento de uma revista institucional e um concurso de poesias restrito aos alunos da rede pública de ensino.

O desleixo com essa data marcante é visível. No final, vão lá montar um palco pra apresentação de qualquer banda esdrúxula dessas que reúne multidão de abnegados consumidores do pão e circo da escola maquiavélica, tão facilmente aplicada (e aceita) como forma de gestão em nossa querida e desprezada Campina Grande e dado como comemorado o seu Sesquicentenário.

Campina Grande, 150 Anos... DEUS SALVE A RAINHA!!!

Arrow: Uma Grata Surpresa!!!

Posted: quinta-feira, 10 de julho de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
0


Buscando tradução do inglês, para a palavra “arrow’ temos ‘seta’, ou contextualizando, ‘flecha’... ou melhor, se incluirmos o termo no cenário do universo quadrinístico dos super-heróis, da DC Comics, vamos remeter ao “Green Arrow”, ou como o conhecemos no Brasil: Arqueiro Verde!

“Arrow” é o título da série de TV americana, produzida pela produtora ‘The CW’, uma joint venture entre a CBS e a Warner Bros. baseada no universo do playboy bilionário Oliver Queen, figura que veste o capuz do Arqueiro Verde, na defesa da cidade de Star(ling) City.

A série estreou em outubro de 2012 mas, só agora, estou vendo sua primeira temporada!

Pertinho do seu final, já a considero uma daquelas gratas surpresas que garimpamos das produções televisivas adaptadas dos quadrinhos, assim como fora (pra mim) as primeiras quatro temporadas da série Smallville.

A trama tem fantasia, tem drama, tem mistério, tem romance, tem triângulo amoroso, tem antagonismos e muita ação! Todos os clichês necessários para uma boa dose de divertimento à la Sessão Aventura, de saudosa memória.

Certo é que, para quem acompanhava o personagem Arqueiro Verde até dois anos atrás, não entenderá o novo perfil de um Oliver Queen mais jovem; muito distante do estilo maduro, loiro de cavanhaque consagrado por décadas de publicações nos quadrinhos. A adaptação está muito próxima e atualizada ao 'update' chamado 'Novos 52' dos quadrinhos dos heróis DC Comics, o que vem à ser um ponto positivo pra série.  

Some-se à tudo isto a satisfação de ver a inserção de outros personagens da editora aparecendo em alguns episódios, à exemplo do Pistoleiro (Floyd Layton), da Caçadora (Helen Bertineli), a Prisão Iron Highs, Dinah Lance, Tommy Merlyn que nas HQs seria o Arqueiro Negro, Exterminador (Slade Wilson), afora os que virão para a segunda temporada que ainda não vi, obviamente.

No mais, continuarei curtindo os episódios que sempre terminam com aquela ânsia de se ver o próximo, o que tem me deixado dormir mais tarde todas as noites desta última semana.

Até a segunda temporada... see you later!!! 

Personagem pré-New52


Tragédia Anunciada: Paredes do Cine Capitólio

Posted: sexta-feira, 4 de julho de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
1

Aspecto interno do antigo Cine Capitólio: Foto Defesa Civil CG

Algumas categorias que se acham imbuídas de Pleno Direitos, mesmo que desconsiderem os Direitos dos outros, de quando em vez param o trânsito de Campina Grande quando o assunto envolve seus próprios umbigos.

Agora, diante de uma desgraça de pequena proporção para o povo e gigantesca proporção para a História de Campina Grande, diante da queda do que restava do Casino Eldorado, conclamo a sociedade para se mobilizar em torno de outra catástrofe anunciada: as paredes que restaram do Cine Capitólio!

No local em que estão, nesta época que ocorrem chuvas, já condenado pela Defesa Civil, manter aquelas ruínas de pé é teimar em esperar pelo pior!

Na minha opinião, e não condeno que divirja, aquele cenário não reúne NADA de característica arquitetônica de remetência Histórica, que precise ser mantido. Uma alternativa para aquele espaço, aproveitando o mesmo cunho artístico, seria demolir o que sobrou e construir um espaço de arena para eventos solo, para que acomodasse os eventos que são improvisados na Praça da Bandeira.

Lembrando: Planejar uma gestão inclui também as possibilidades de algo dar errado, imaginem aquilo que já está prognosticado!

A CASA DO LAGO

Posted: sábado, 26 de abril de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
1



Para um cara que curte filmes, de todos os tipos, de todas as épocas, fica difícil de escolher aquele que seria o preferido, seja em título, seja em gênero...

No entanto, vivo na realidade com um pé na magia e no mundo imaginário que a arte pode produzir através das produções cinematográficas. Alie tudo isso ao fato de ser leitor de quadrinhos e literatura de ficção e fantasia.

Um fator me é peculiar em tudo o que curto nesse universo: a teoria da relatividade em sua aplicação mais improvável, onírica e, até hoje inverossímil: viagens através do tempo.

Dessa forma, um filme que sempre representou minhas preferências, envolvendo física, magia e romance é “Em Algum Lugar do Passado” (Somewhere in Time, EUA, 1980). O drama romântico vivido pelo escritor Richard Collier, interpretado pelo eterno Superman Christopher Reeve, nunca saiu da minha cabeça desde a primeira vez que assisti quando criança, lá na época em que o Supercine era a atração principal das noites de sábado. Sua trilha sonora é um daqueles clássicos eternos do cinema.

Tardiamente (por quê isso sempre acontece comigo??) hoje coloco outra produção no mesmo podium em que, pra mim, está classificado o “Em Algum Lugar do Passado”; trata-se do filme “A Casa do Lago” (The Lake House, EUA, 2006).

Neste ‘novo’ drama romântico, os protagonistas Adam e Kate, vividos pelos atores Keanu Reeves e Sandra Bullock, nos envolve em uma história de encontros e desencontros através de um romance à distância, que nasce e se consolida entre ambos. O detalhe é o fato que a distância que os separa é de dois anos, unidos por uma fenda no espaço tempo, onde a caixa de correios da casa do lago é o elo que interliga a trama.

Pelo enredo que me atrai, pela excelente história adaptada, e pelo fato de me emocionar em seu final, “A Casa do Lago” é um dos filmes que já faz parte da minha seleta lista de "preferidos", não desbancando “Em Algum Lugar do Passado”, mas, se colocando ali bem próximo, em uma situação de empate técnico.

Pra quem ainda não viu, e gosta dos elementos presentes na obra, fica a dica!

O Início, o Fim e o Meio! (Thank you, Geoff Johns!)

Posted: sábado, 5 de abril de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
0


Precisamente, não saberia datar quando começou minha afeição pela leitura de Histórias em Quadrinhos. Mas, sei precisar, exatamente, que em Janeiro de 1990 comecei a colecionar regularmente edições de HQs comprando em bancas a novíssima revista “DC 2000” (A revista Uma Década à Frente) e, mais, a “Novos Titãs”, que já era minha equipe de personagens preferidos de edições compradas aleatoriamente antes.

Ao longo desses 24 anos de leitura, vi surgirem – e sumirem – uma gama de personagens, de equipes, de artistas, de roteiristas. Superei expectativas quando não havia o recurso da internet para nos manter informados sobre o que o futuro reservava para nossos heróis. Li e vibrei com grandes sagas, séries, arcos, minisséries, mortes e ressurreições...

O incerto, em tudo isso, foi sempre encontrar qual o meu herói preferido... sempre oscilei entre Batman, o Flash e o Lanterna Verde.

Independente dessa incerteza, o Lanterna Verde, no entanto, é o motivo desse texto que ora escrevo!

Acabei de ler, exatamente há 5 minutos, a edição n.º 20 da sua revista. Ah, sim: por culpa da greve nos Correios, só agora recebi um ‘pacotaço’ de edições com dois meses de números atrasados.

Eu supra dizia que li e vibrei com várias histórias. Mas somente duas, apenas duas, sagas me surpreenderam nesse surreal universo da Nona Arte e, ambas, foram protagonizadas pelo herói esmeralda, alter ego do piloto de testes Hal Jordan.

A primeira foi na saga ‘Hal Jordan Renascimento’, uma excelente história bem amarrada em eventos pretéritos com desfecho espetacularmente voltado à reinserção do personagem no contexto da DC Comics, à época. A segunda coincide com a edição nº 20 que acabo de ler, fechando este macro-arco com o estonteante encerramento da saga “A Ira do Primeiro Lanterna”.

A primeira continha uma saga emotiva tão grande no seu roteiro que, pela primeira vez, me arrepiei lendo uma HQ. A segunda, carregada de ação, trouxe os elementos que faltavam para fechar um ciclo, onde a emoção ficou por conta do contexto e das declarações publicadas pela Panini Comics, em várias páginas da revista, de personalidades reais dos quadrinhos e do cinema, aclamando aquela que é a última participação de um mago dos roteiros; o Midas dos quadrinhos, o responsável pela ascensão de Hal Jordan/Lanterna Verde, o maestro Geoff Johns, depois de dez anos à frente dos destinos do personagem. 

Coincidentemente, meus sentimentos de leitor e fã, foram provocados de forma incisiva por histórias de um mesmo personagem, escritas pelo mesmo roteirista, sendo uma o inicio de um ciclo, outra o seu fim.

Entre sobe-e-desce de qualidade nas histórias das outras publicações da DC Comics, a saga de Hal Jordan e da Tropa dos Lanternas Verdes se manteve sempre por cima, em alto nível, deixando-nos aquele gostinho de ‘quero mais’ à cada fim de leitura edição após edição.

Anonimamente me junto às personalidades que se manifestaram quanto às qualidades do mestre Geoff Johns, comungando à todas as opiniões, registrando neste testemunho, minha reverência ao jovem roteirista.

Obrigado Geoff Johns, por nove anos de excelentes leituras que me foram proporcionadas e por trazer à linha de frente um dos meus personagens preferidos.

Nem só de 'Glórias do Passado' vivem nossos times de futebol.

Posted: sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
0


Historicamente, através das ondas da Rádio Nacional, o time do Flamengo foi alçado à condição de mais popular do Brasil. Como uma das emissoras de rádio mais antigas e de maior alcance, a Nacional transmitia as glórias dos times cariocas para todo o território tupiniquim.

Com relação aos time paraibanos, aquele que vivem de estatísticas históricas, pelas conquistas do passado, as décadas de 70 e 80 colocaram os times paraibanos em disputas nacionais mas, em nenhuma delas, promoveu nenhum deles à grandes clubes.

Com a decadência do futebol paraibano dos anos 90 pra cá, não tem como se empurrar 'goela abaixo' a ditadura do "Eu Tenho Time pra Torcer"! As novas gerações não se empolgarão com glórias do passado, ou por ser o 'time do meu pai'.

Quem atua  na área comercial, sabe que é difícil vender um produto sem que haja um bom 'briefing', ou uma boa apresentação da sua aceitação... o que podemos apresentar como plataforma de vendas dos nossos times aos nossos filhos, às novas gerações?!

O torcedor de futebol quer do seu time participações frequentes em campeonatos potenciais (não essa esculhambação (des)organizada pela Federação Paraibana de Futebol), sucesso e constância, coisa que os "clubes" da Paraíba não conseguem promover há muitos anos.

O dados apresentados pela pesquisa, recentemente, realizada com torcedores no Estado, só comprovam a deficiência da promoção dos nossos times. Se para manter um torcedor já é difícil, imaginem PRODUZIR novos torcedores!!!

SESQUICENTENÁRIO DE CAMPINA GRANDE... O que esperar das Comemorações?!

Posted: quinta-feira, 30 de janeiro de 2014 by Emmanuel do N. Sousa in
1

(*) Texto Originalmente publicado na Revista Êxitus, mês Outubro/2013

por Emmanuel Sousa

Campina Grande entra, definitivamente, na contagem regressiva do último ano para o seu Sesquicentenário, quando em 11 de Outubro do ano vindouro comemorar-se-ão 150 anos da sua Emancipação Política.


E, diante da magnificência que foram, cinqüenta anos atrás, as comemorações pelo primeiro Centenário, ficamos na expectativa do quê será realizado para registrar na História este marco que está para ser alcançado em 2014.

Certos, até agora, de que estamos muito atrasados no que diz respeito às discussões sobre o assunto, uma vez que os preparativos para o aniversário de 100 Anos, ocorrido em 1964, tiveram início três anos antes! No ano de 1961 o então prefeito Severino Cabral criou a “Comissão do Centenário”, que foi responsável pela organização de diversos eventos e inaugurações de obras que marcariam a celebração da data.

Efetivamente, a Comissão do Centenário só dispôs de verba para iniciar suas atividades no ano de 1962, por intermédio de uma emenda orçamentária apresentada pelo deputado federal José Joffily Bezerra, que lhe destinou Cr$ 700.000,00, haja vista por descuido, a peça orçamentária da Prefeitura Municipal para o Exercício 1962 não lhe destinou dotação.

Várias atividades foram desempenhadas pela Comissão do Centenário. A intenção era proporcionar um evento inesquecível para os campinenses e convidados, não só na data propriamente dita do aniversário, 11 de Outubro, como em todo o ano - à exemplo da ação sócio-educativa realizada em parceria com os Diários Associados na intenção de diminuir o índice de analfabetos na cidade. Para isso, foram lançadas as “Escolas Centenárias”, que funcionavam à noite, alfabetizando adultos, entre eles, operários e domésticas.

Uma das lembranças arquitetônicas que marcou o aniversário dos 100 anos é, sem dúvida, o Monumento aos Pioneiros, assentado às margens do Açude Velho, na área denominada Parque do Centenário. Em seu conjunto, o monumento apresenta três grandes estátuas; sendo uma dedicada aos índios, outra feminina representa uma coletora de algodão e mais uma estátua dedicada a figura dos tropeiros.

Pasmem, antes de aprovada esta homenagem, uma das sugestões apresentadas propunha a estátua de um burro na entrada da cidade, como forma de reconhecimento ao “elemento que mais contribuiu para o nascimento da civilização brasileira”1

Além da Comissão do Centenário, foi criada a Comissão Cultural do Centenário, só para tratar das questões culturais, já na curta gestão do prefeito Newton Vieira Rique, em 29 de Abril de 1964, composta por Maria de

Lourdes Passos, José Elias Barbosa Borges, Raymundo Asfora, Severino Bezerra de Carvalho e, chefiando a Comissão, a intelectualidade do ex-prefeito e historiador Elpídio de Almeida.

A “CCC”, como fora chamada a Comissão Cultural, cuidaria da publicação de livros, encontros literários e filosóficos, palestras, mostras de teatro, cinema, música e dança.

Uma das iniciativas da CCC foi a publicação da “Revista Campinense de Cultura”, com o intuito de divulgar e registrar na História parte da produção literária de alguns campinenses ilustres que puderam aproveitar a chance para, através de prosa ou verso, contribuir com a produção textual disposta nesta edição especial, a nº 01, do Ano I.

Lourdes Ramalho, José Lira e Vasconcelos, Anésio Leão, Raymundo Asfora, Elpídio de Almeida, Cristino Pimentel, Epitácio Soares, Maciel Malheiros, Severino Bezerra de Carvalho, Dilermando Luna, Orlando Tejo, Horácio de Almeida, Ascendino Leite, Ruth Almeida, Samuel Simões, Severino Luna Pequeno, Everardo Luna, Lopes de Andrade, Antonio Mangabeira e Francisco Maria Filho, além de José Américo de Almeida com seu escrito “O Nego” - que ‘fechou’ a obra -, foram os detentores do direito a eternizarem suas composições textuais na Revista Campinense de Cultura, em Outubro de 1964.

Os autores tiveram liberdade para produzir da forma que lhe aprouvesse seu material disposto na Revista. Houve memórias, biografias, sonetos, enfim, até sobre cerâmica de barro escreveram!

Diante do exposto, atualmente Campina Grande conta com várias revistas com edição, publicação e distribuição local; uma em especial com conteúdo exclusivamente literário, a Revista Blecaute. Certamente, no âmbito textual, o Sesquicentenário da Rainha da Borborema pode ter a certeza de uma ampla cobertura, que contará com excelentes escritores, mestres na arte de construir idéias no contextualizado uso das palavras.


1 Diário da Borborema, 15/01/1963 – Coluna “Instantâneos”, de Epitácio Soares

Fonte Consultada: “A FESTA DO CENTENÁRIO DE CAMPINA GRANDE OU A CRIAÇÃO DE UMA IDENTIDADE COLETIVA”. SOUZA, Antonio Clarindo B. de. 2004.