"Centro Histórico": As Placas Indicam Mas, Onde Ele Está?!

Posted: segunda-feira, 11 de março de 2013 by Emmanuel do N. Sousa in
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TEXTO ORIGINALMENTE POSTADO NA REVISTA "CONSTRUIR & CIA" - ANO I, Nº 01




Comumente transitando pelo entorno do Centro da cidade nos deparamos com placas indicativas de trânsito que sinalizam, entre convergências de sentidos, a direção para o “Centro Histórico”.

Ornadas com fundo pintado na cor marrom, que indicam “Atrativos Turísticos”, segundo as convenções definidas pela Legislação de Trânsito brasileira, as placas nos leva ao local em que deveria ser nosso Centro Histórico!

Não só para os turistas que nos visitam, como para nós mesmos que buscamos evidências físicas do passado da nossa cidade, o cenário encontrado na área delimitada não reporta em praticamente nada ao termo definido nas placas indicativas. 

Campina Grande é uma cidade ímpar no que diz respeito à presença de arquitetura urbana de cunho histórico. Como se não bastassem as modificações realizadas nas Décadas de 30 e 40, que remodelaram de forma definitiva as características originais que remetiam aos tempos da  Vila Nova da Rainha, hoje contamos com o processo de expansão do mercado da construção civil que vem substituindo de forma avassaladora muitos dos imóveis comerciais e residenciais antigos existentes no Centro da cidade por construções de arquitetura contemporânea, ou simplesmente transformando seus terrenos em estacionamentos.

O acervo de construções Históricas e/ou originais presentes no Centro de Campina Grande é muito limitado. Alem do quê, os que estão localizados nas principais vias de tradição comercial ainda contam com a descaracterização publicitária que encobre o pouco que ainda resta das suas antigas fachadas.

De certa forma, apesar dos seus 315 anos de fundação (a serem comemorados no próximo dia 1º de dezembro), passear em Campina Grande não significa uma viagem ao passado. Muitos são os prédios públicos ou privados que foram demolidos ou substituídos desde a Reforma Urbanística implementada na administração do prefeito Vergniaud Wanderley no final da Década de 30, que mudou radicalmente o layout original do Centro da nossa urbe, bastando citar a demolição da Igreja do Rosário e do Paço Municipal como exemplo do rastro de destruição imposta ao nosso Patrimônio Histórico.

Diferente de outras grandes cidades do Brasil que comungam do acervo arquitetônico histórico com o modernismo, Campina Grande caminha à passos largos para contar sua História apenas através das fotografias que registraram, um dia, o presente que o futuro, disfarçado de progresso, fez e faz questão de esquecer da importância que aquele imóvel teria para as novas e próximas gerações.


Emmanuel Sousa