Dom Pagotto, Dom Poder

Posted: quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 by Emmanuel do N. Sousa in
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“Dom Aldo Pagotto celebra casamento de Ricardo Coutinho e Pâmela Bório”

Há algo incomum nesta manchete?! Claro que não.

E se complementarmos a manchete com o corpo da notícia, assim: “O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), casou às 18h, deste domingo, com a jornalista Pâmela Bório. A solenidade aconteceu na capela da Granja Santana, em João Pessoa, residência oficial do chefe do Executivo Estadual, e reuniu familiares e amigos mais próximos dos noivos. (...)A cerimônia foi celebrada pelo arcebispo Dom Aldo Pagotto.”

“Hein?! Não entendi!”, me diz você, leitor.

Traduzindo, tudo está conforme o roteiro estadual paraibano; Dom Aldo Pagotto, Arcebispo, braço político-cristão do Governo do Estado desde a gestão Cássio Cunha Lima, celebra o enlace do atual governador em sua residência oficial, mantendo as suas funções de capelão chapa-branca.

O que parece que nenhum profissional de imprensa notou, ou não quis notar, é que o Dom Aldo, ou Dom Poder, é um daqueles personagens muito famoso do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, já que ele próprio foi um crítico ferrenho da condução atual das cerimônias de casamento realizadas no Estado, inclusive se colocando como arauto das regras canônicas dispostas pelo Vaticano e promovendo uma série de proibições impostas aos templos católicos do estado.

Não muito tempo atrás, o mesmo Pagotto declarou no site da Arquidiocese da Paraíba, no dia 13.09.2010, que “(...) de acordo com as Orientações para a Celebração Litúrgica do Sacramento do Matrimônio na Arquidiocese da Paraíba(...) as celebrações só são permitidas dentro de uma Igreja da própria comunidade paroquial dos noivos(...) Quanto a casamentos realizados em clubes, sítios ou quaisquer outros lugares não destinados ao culto: são expressamente proibidos em qualquer caso”. (http://www.arquidiocesepb.org.br/index.php?arqui=pages/noticia&cod_noticia=44)

Instituição de hierarquia severa e indiscutível, a Igreja Católica cumpre, através dos seus padres, as determinações instruídas. Por isso, atualmente existe uma dificuldade imensa de se levar cerimônias da igreja católica às diversas localidades onde se haja necessidade em virtude dessa proibição, tornando a instituição antipática ao apelo social.

Abrindo uma exceção para celebrar o matrimônio do Governador em sua residência oficial, o Arcebispo queima sua própria língua, ao passo que abre o precedente para o descumprimento da proibição por parte de outros pastores da Igreja Católica, que poderão promover as mesmas atitudes com base na conduta praticada por Dom Pagotto.

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