Em Sua 22ª Edição, a Sub-Existência do "Encontro para a Nova Consciência"

Posted: segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013 by Emmanuel do N. Sousa in
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Há 22 anos, Campina Grande notabilizou-se nacionalmente (até internacionalmente) pela realização de um grande encontro ecumênico, onde o foco era a intelectualidade, a cultura, a diversidade e a espiritualidade. Onde pessoas de todas as religiões reuniram-se para discutir e aprender.

Surgia, no ano de 1992, o Encontro para a Nova Consciência! 

Após o sucesso alcançado em sua primeira edição, o Encontro alcançou um respaldo ímpar, atraindo nos anos subseqüentes, grandes nomes do pensamento livre e formadores de opinião. Um evento único no mundo que conseguiu envolver no período momesco, as maiores personalidades nacionais e internacionais, para a abordagem de temas de interesse da humanidade, exercitando a tolerância, o diálogo inter-religioso, o desenvolvimento sustentável e inclusão social.

Em seus primeiros anos, os grandes líderes políticos e religiosos de Campina Grande participaram, ativamente, à exemplo do Bispo Diocesano Dom Luis Gonzaga Fernandes, que sempre fez questão de ressaltar a unidade entre as crenças em busca de um objetivo comum, com fins pacíficos.

Alguns anos mais tarde, duas correntes religiosas, díspares e imiscíveis, os Católicos Carismáticos e uma fração dos Evangélicos capitaneados pela VINACC, desenvolveram seus próprios encontros, enfraquecendo a participação maciça no evento macro de respaldo internacional.

Dispostos de apelos de cunho estritamente religioso, estes dois novos encontros colheram, em sua grande massa de participantes, os fiéis seguidores das igrejas envolvidas. O "Crescer" acolhe os católicos carismáticos e simpatizantes do movimento da Renovação Carismática Católica, enquanto o "Encontro Para a Consciência Cristã" arrebata os evangélicos de forma geral.

Ano, após ano, estas duas agremiações fortaleceram seus eventos de forma que, praticamente, transformou Campina Grande em uma cidade de eventos religiosos, em detrimento à maximização discutida à nível macro no Encontro para Nova Consciência, em períodos pretéritos. Atualmente, existem, além dos dois aqui discutidos, os encontros religiosos dos Espíritas, o "MIEP"; o dos Judeus, "Amigos da Torah"; o de outra comunidade da Renovação Carismática Católica, os Remidos no Senhor... 

A verdade nua e crua é que o Encontro para Nova Consciência, hoje, sub-existe! É mais um encontro da diversidade cultural que um evento ecumênico.

É um evento que ainda consegue sobreviver porém, sendo realizado em um formato micro de abrangência, alcance e participação popular. Está muito longe de possuir a magnitude, a plenitude e a potencialidade nacional, e internacional, que já possuiu.

O próprio poder público deveria ter impedido a proliferação desses encontros paralelos de caráter egocêntrico e personalistas, em que a Prefeitura Municipal de Campina Grande atua como parceira no patrocínio financeiro.

Isso só prova que nossa comunidade é incapaz de se unir em torno de um objetivo comum! Um pensamento único em torno do bem estar comum não basta! A rivalidade entre as religiões impede a união dos povos. Infelizmente, somos obrigados a conviver com grupos de líderes que continuam pregando serem os melhores, levando seus fiéis a "se compararem", ao invés de "se parearem" aos irmãos de outras correntes religiosas.


(No Blog Retalhos Históricos de Campina Grande, foram postados, há algum tempo, alguns vídeos do 1º Encontro para a Nova Consciência realizado no ano de 1992: http://cgretalhos.blogspot.com/2009/11/o-encontro-da-nova-consciencia-em-1992.html)

3 comentários:

  1. Walmir Chaves says:

    É, absolutamente, lamentável que todos os movimentos iniciados com a bôa intenção de reunir hombres de bôa vontade na busca de um bem comun, de um melhor entendimento da nossa origem, da nossa divindade etc., seja sempre destruida pela incompreensão dos que se creen possuidores da "Verdade" com suas prepotencias, suas incongruências, suas inconsciências. Acho que quanto mais nos crêmos sábios e mais nos afastamos de nossos semelhantes mais longe estamos do CRIADOR!

  1. Marília Gabrille says:

    Como moradora da cidade devo dizer que foi, e é, realmente triste ver o que se torno Campina Grande, uma cidade, centro universitário, que tinha tudo para se tornar um exemplo de respeito e tolerância, principalmente através da Nova consciência, se tornou o exemplo vivo de como as doutrinas religiosas atuais não estão em busca de comunhão com Deus, mas sim de espelhar a verdade delas, a qual elas julgam únicas. A intolerância com a qual minha cidade é banhada em época de carnaval é dolorosa de assistir.

  1. Frequentei o Encontro da Nova Consciência durante 6 anos.
    Gostaria de esclarecer que o MIEP (encontro do movimento espírita) está em sua 40a edição e, portanto, é bem mais antigo que o Encontro da Nova Consciência. Não faria sentido acabar com um encontro que já tinha 18 edições só porque tinham iniciado a Nova Consciência.
    Além disso, sempre houve uma parceria entre o MIEP e a Nova Consciencia, e todos os anos palestrantes e grupos musicais do MIEP participam do encontro macroecumênico.
    Não faria nenhum sentido o Município coibir os encontros paralelos das religiões. Até porque dentro da Nova Consciência ocorrem diversos "mini-encontros" dos grupos ali representados.
    Não haveria nenhum problema com os encontros paralelos se todos fossem integrados, ou seja, houvesse o encontro de cada religião com "pontos de encontro" com a Nova Consciência, assim como o MIEP sempre fez.
    Não posso dizer em relação ao encontro católico, mas acabar com o encontro do grupo evangélico não ia levar esse público à Nova Consciência, porque eles nunca frequentaram tal encontro. Na verdade, o que faria grande diferença era eles pararem de atacar a Nova Consciência, através da distribuição de panfletos e de atos públicos, além da influência política, como há muito tempo já vêm fazendo.
    O que realmente derrubou a Nova Consciência é a falta de apoio político e financeiro. Um encontro feito por voluntários que fazem todos os esforços possíveis para levá-lo adiante, mas que não podem sozinhos arcar com todas as despesas que um evento dessa magnitude acarreta.
    Sem ter sequer condições de pagar as passagens para que os palestrantes possam vir, sem poder oferecer hospedagem, fica difícil.
    Um encontro que já recebeu grandes nomes do ecumenismo como Leonardo Boff, professor Hermógenes, Monja Coen, Paulo Coelho, Rose Marie Muraro, Pierre Weil, dentre tantos outros, hoje se vê sem apoio de tipo nenhum para levar um tão belo ideal adiante.