Campina, GRANDE desde o Princípio!

Posted: segunda-feira, 11 de outubro de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Quando nos utilizamos do termo “fundação” de Campina Grande e denotamos os créditos deste feito a Theodósio de Oliveira Ledo, em 1697, reconhecemos sua investida junto a ocupação do espaço territorial e posterior desenvolvimento comunitário e social, até que fôssemos elevados à condição de cidade, feito realizado em 1864.

O surgimento de Campina Grande foi fruto da política expansionista implementada pela Coroa Portuguesa ao final do Século XVII, onde a ocupação territorial da nova colônia faria surgir soluções para os problemas internos do Reino. Diante disto, com as ocupações, se estabeleceram as atividades de criação de gado, agricultura de subsistência tudo isso com suporte escravocrata dos nativos.

Neste cenário destacaram-se os Oliveira Ledo como pioneiros nos sertões paraibano por volta de 1663 que, por satisfazerem os planos da Coroa, foram recompensados com terras para produzir riquezas para o Tesouro Real.

Entre as terras oferecidas pela Realeza estava o Planalto da Borborema, a quem coube sua ocupação por Theodósio de Oliveira Ledo, que aportou na região denominada “a campina grande”, habitada pelos índios Cariri, os nativos locais.

Uma curiosidade pouco difundida pelos resgates históricos apresentados nos folhetins impressos da nossa cidade é que toda essa ocupação se deu às custas de muita violência.

À princípio, para a primeira investida de Theodósio na região foi necessário a solicitação do apoio da Coroa para envio de suprimento humano e munição, o que lhe fora atendido, à pedido do Capitão-Mor da Paraíba Manoel Soares de Albergaria, em 14/05/1699.

O intento do conquistador, realizado de forma irascível, foi tomado conhecimento pelo Rei de Portugal D. Pedro II (1667-1706) que, em carta enviada ao Capitão-Mor da Paraíba em 16/09/1699 condenava o comportamento apresentado por Theodósio, principalmente pela forma como agiu com os nativos, assim escrevendo-lhe:

“Havendo visto a carta que me destes do bom sucesso que se teve na campanha com os índios nossos inimigos nos certões do districto das Piranhas e Pinhancó em que o Capitão-Mór dellas Theodósio de Oliveira Ledo se tinha havido com muito valor e desposição e trazido consigo hua nação de Tapuyas chamados Arius, que estavão aldeiados junto aos Cariris onde chamam Campina Grande que queriam viver como meus vassallos e reduziremse a nossa Santa Fé me pareceu estranhar mui severamente o que obrou Theodosio de Oliveira Ledo em matar a sangue frio muitos dos índios que tomou na guerra, porque suposto em sncia (?) era incapazes isto não hia ser conveniente uzarce com elles de toda a piedade por q. o exemplo do rigor que com elles executou seria dar occasião a fazer aos mais nossos contrários vendo a nossa impiedade; e sy se faz este caso digno de um exemplar castigo e emquanto a creação do arrayal me pareceu dizervos se aprova o que nesta parte se assentou, pois se entende que se escolheria o que tivesse por mais conveniente”

Portanto, apesar da “dura" recebida, a questão era ter descartado parte da mão-de-obra que seria utilizada nos serviços de exploração a ser instalados na área ocupada. O uso da força bruta no processo de conquista dava conta de que os Cariris eram hábeis guerreiros, justificando assim o pedido do envio de homens e de munição para dominá-los.

Com o sucesso da ocupação territorial, Theodósio fora patenteado Capitão-Mor do sertão, em 1694, sendo agraciado pela Realeza com as terras conquistadas. O historiador João Capistrano de Abreu dissera que para Theodósio adquirir suas imensas propriedades lhe bastava redigir um requerimento à Realeza, lhe custando apenas papel e tinta.

O latifúndio por ele instituído dava conta de 115 sesmarias, onde, três décadas mais tarde, Theodósio deixava em testamento “dois terços das terras do Agreste e da parte ocidental do Cariri” para seus familiares em herança.

O latifúndio criado em Campina Grande por Theodósio de Oliveira Ledo teve seqüência com figuras históricas como José Nunes Viana, Bento Alves Viana, Alexandrino Cavalcanti, entre outros.

A saga da nossa História é repleta de grandes homens e mulheres que, aguerridos, elevaram à condição máxima, o desejo de verem a Campina Grande e Próspera. Campina foi elevada à freguesia em 1769, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição. Sua elevação à vila com o nome de Vila Nova da Rainha (Em homenagem à Rainha Maria I, de Portugal, mãe de D. João VI) se deu em 20 de abril de 1790, por intermédio da Carta Régia de 22 de julho de 1766.

Hoje, uma das maiores cidades do interior do Nordeste, de região de conflitos durante sua ocupação ao título de cidade high-tech, saudamos nossa Rainha da Borborema pelo transcurso dos seus 146 anos de Emancipação Política.

Fonte Consultada:
SILVA, Josefa Gomes de Almeida e. “Raízes Históricas de Campina Grande” in “Imagens Multifacetadas da História de Campina Grande”. Campina Grande, 2000.

Auge da Cultura Algodoeira em Campina Grande (Acervo Edson Vasconcelos)

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