Faça do Livro o Seu Melhor Amigo

Posted: terça-feira, 8 de junho de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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POSTAGEM ORIGINALMENTE PUBLICADA NO 
BLOG RETALHOS HISTÓRICOS DE CAMPINA GRANDE
(http://cgretalhos.blogspot.com)



A cidade de Campina Grande deteve em seu patrimônio intelectual, desde o ano de 1953, a Livraria Pedrosa – espaço freqüentado pelos grandes “formadores de opinião” locais, instalada na Rua Maciel Pinheiro, mais precisamente no Edifício do Livro, esquina com a Rua Monsenhor Sales, construído sobre a área onde se localizava a antiga Praça Epitácio Pessoa, em frente ao Pavilhão Epitácio (CLIQUE AQUI).

Antes de fundar a Livraria Pedrosa, em 08 de Maio de 1953, José Cavalcanti Pedrosa, pernambucano de Timbaúba, nascido em 02 de Janeiro de 1914, foi funcionário do seu tio, o senhor Yoyô Cavalcanti, na Livraria Moderna, também instalada no antigo “Beco do 31”.

Curiosamente, a Livraria Moderna foi montada por Yoyô Cavalcanti com recursos de um bilhete premiado em sorteio de loteria.

Iniciava-se ali a tradição do provimento da cultura literária e do material didático à população campinense que, como dissera Chico Maria sobre os itens disponíveis da Livraria Pedrosa: “Do crayon, da lousa, do tinteiro, da pena, do mata-borrão, material exigido por D. Ambrosina – diretora do Grupo Escolar Sólon de Lucena, até o último modelo da caneta Parker 51; da Carta do ABC; do caderno de caligrafia; de música; da Crestomacia; até o livro de receita culinária de Dona Benta. Da Teoria da Relatividade; do Livro dos Espíritos; de Branca de Neve e os Sete Anões ao mais novo Tratado de Medicina, Física, Direito e Engenharia.”

Seu Pedrosa empenhou força ao seu comércio relacionando-o ao slogan “Faça do Livro seu Melhor Amigo”, transformando, inclusive, o lema da livraria em um programa da Rádio Borborema apresentado diariamente, às 18:00hs, pelos radialistas Gil Gonçalves e Hilton Motta, onde era exposta a análise feita por ele próprio das novidades recebidas, quaisquer área do conhecimento como literatura, social, jurídica, religiosa ou tecnológica, possibilitando ao ouvinte, ter uma sinopse comentada sobre o livro que estava em destaque nas vitrines de sua livraria.

Da criatividade do comerciante, nasceu o serviço de entrega em domicílio das obras literárias aos seus clientes, de acordo com sua área de atuação profissional. Favorecido pela estreita relação que detinha com as grandes distribuidoras nacionais, os lançamentos aportavam em Campina Grande simultaneamente com o restante do Brasil, proporcionando a capacitação dos intelectuais da região de forma que se desenvolveu uma fidelização da clientela.

Onde um dia funcionou o "Beco do 31 Bar", vizinho à livraria, funcionou a "Fruteira de Cristino", o ponto de encontro dos amantes da literatura no passado, de propriedade de Cristino Pimentel, autor de um dos mais completos livros sobre a nossa História, chamado "Pedaços da História de Campina Grande", editado inclusive na gráfica da Livraria Pedrosa.

Segundo Chico Maria, em seu texto "Do Crayon à Parker 51", foi na fruteira, mais precisamente no salão dos fundos da loja, batizado pelos frequentadores como “Cenáculo”, que em um brinde regado ao  “bate-bate primoroso”, uma especialidade da casa, criada pelo próprio Cristino, composta de aguardente pura e maracujá com açúcar, que nasceu a célebre frase "Faça do Livro Seu Melhor Amigo".

Enquanto funcionou o "Beco do 31 Bar ", havia uma placa afixada em sua parede que dizia: "Varanda da Saudade", haja visto que a Fruteira de Cristino que ali funcionara era o reduto dos grandes encontros literários, local que ficou conhecido como o centro das reuniões da intelectualidade e boemia campinense, onde segundo Honório Pedrosa afirma que "Alí, estavam sempre a espera do Livreiro, os seus diletos e inseparáveis amigos, tais como, o proprietário da casa Cristino Pimentel, Dr. Telha, Omega Sodré, Lopes de Andrade, Cláudio Porto, Hortênsio Ribeiro, Raimundo Asfora, Félix Araújo, Zeferino Lima, Anésio Leão, Antonio Pimentel, Epitácio Soares, Virginuis da Gama e Melo, Dante Cavalcanti, Zezé Buchudo (falecidos), e mais seus irmãos João e Arlindo Pedrosa, William Tejo, Orlando Tejo, enfim, boêmios e intelectuais da melhor cepa da cidade."


As dependências da Livraria Pedrosa foi palco do lançamento de obras de grandes mestres da literatura local, regional e nacional, à exemplo da presença de Jorge Amado lançando seu “Dona Flor e seus Dois Maridos”, que contou inclusive com o patrocínio do banqueiro campinense Newton Vieira Rique na produção do filme de mesmo nome.

José Cavalcanti Pedrosa, o "Seu Pedrosa da Livraria", foi alçado ao andar de cima do convívio terreno no dia 19 de setembro de 1994,  poucos meses após receber homenagem pelo Bloco da Saudade, organizado pela empreendedora cultural Eneida Maracajá, durante a realização da Micarande neste mesmo ano.

Com o encerramento das atividades da Livraria Pedrosa, Campina Grande padece de um espaço para as artes literárias até os dias de hoje. Aliás, não temos mais nenhuma livraria do seu porte, ao passo em que os autores se valem, tão somente, de um conhecido sebo localizado na Rua Getúlio Vargas como única alternativa de escoamento das suas obras em nossa cidade.

Fonte Pesquisada e Fotos:
"Homenagem a José Pedrosa, O Livreiro de Campina", PMCG, Junho de 2003;
Nossos agradecimentos a Honório Cordeiro Pedrosa, filho do "Seu Pedrosa", que gentilmente nos  enviou a Biografia e o livreto produzido pela PMCG.

Seu Pedrosa entre vasto o acervo literário da Livraria

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA:

Abaixo, uma foto encontrada no endereço eletrônico "Picasa", mais precisamente na página chamada "Oriana": http://picasaweb.google.com/lh/photo/hbtmxZANx8drAM656p5n-A . Trata-se de um encontro na antiga "Livraria Pedrosa", um dos marcos culturais de Campina Grande. Era lá em frente, que as famosas "Ceguinhas" de Campina Grande ficavam sentadas, na busca do sustento antes da fama. Na foto, podemos observar o tribuno Raymundo Ásfora, apresentando um livro.

Na foto, identificamos João Pedrosa (à esquerda), Raymundo Asfora, o ex-deputado Aloísio Campos, o jornalista Tarcísio Cartaxo e o professor Sebastião Vieira, ex-reitor da UEPB.


A próxima imagem é de nosso acervo, um "marcador de livros" da livraria, que marcou época a todos que compraram livros naquele agradável ambiente.


1 comentários:

  1. Joelmar says:

    eu tenho até hoje um marcador de livros da livraria pedrosa, de cor azul claro, guardado com carinho dentro de um livro que comprei ali, ou melhor que minha mãe me comprou nesta livraria. Leitor assíduo da coleção vaga-lume, todos praticamente comprados nesta livraria.