Feira Central: O Coração de Campina Grande

Posted: domingo, 30 de maio de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Por Emmanuel do Nascimento Sousa,
postado no Blog Retalhos Históricos de Campina Grande
(http://cgretalhos.blogspot.com)

Feira Central Anos 60 - Mercado Público ao Centro (Foto FGV-CPDOC)

A gênese da feira livre de Campina Grande confunde-se com sua própria fundação. A feira surgiu no aldeamento do povo Ariú, grupo pertencente a nação dos Kariri, que permaneceu em nossa localidade com a finalidade de pastorear o gado dos Oliveira Ledo.

Este local, onde aportou Theodósio e seus índios trazidos do interior da província, era o Sítio Barrocas, mais precisamente no início da Rua Vila Nova da Rainha com o Açude Velho, viela considerada porta de penetração para o Sertão e Cariri desde os primórdios.

Por se tratar de uma rota estratégica, aglomeravam-se tropeiros e boiadeiros, donde se destacava o comércio, à base da troca, do principal produto da época, a farinha de mandioca.

Desde então, fixara-se ali, a feira livre de Campina Grande, tradicionalmente realizada aos domingos. Somente em 1839, atendendo ao pedido de D. João Perdigão, bispo de Olinda-PE, em visita ao interior da Paraíba, é que teve sua realização transferida para o sábado, mantendo-se neste dia até hoje.

Mercado Velho, de Baltazar Luna

Com a construção do mercado de cereais de Baltazar Gomes Pereira Luna, no Largo da Matriz (onde funcionou a Reitoria da UEPB), a feira fora deslocada para a Avenida Floriano Peixoto, nas proximidades do prédio de Baltazar, permanecendo ali até o ano de 1864, quando o comerciante Alexandrino Cavalcante de Albuquerque construiu seu mercado na Rua do Seridó (Maciel Pinheiro), fazendo com que os comerciantes de cereais de instalassem à frente do seu estabelecimento, favorecendo, inclusive o acesso dos freqüentadores da feira às casas de rancho (restaurantes) localizados nas imediações do Cemitério das Boninas (haja visto o desmantelo urbano ao qual eram estabelecidas as vias de acesso em nossa cidade até o final dos anos 30).
Feira Livre - Rua Maciel Pinheiro (Anos 20)
A partir daí, definem-se os termos “Mercado Novo” e “Mercado Velho”, para os estabelecimentos de Alexandrino e Baltazar, respectivamente.

Como zona de potencialidade econômica local, a localização da feira foi motivo de disputas políticas; os partidários vencedores à cada eleição estabeleciam o local da feira de acordo com suas conveniências, levando a dissipação de uma famosa frase da época que dizia “aonde o poder vai, a feira vai atrás”, fazendo com que a feira mudasse de local de acordo com as eleições vindouras, disputadas entre liberais e conservadores.

No ano de 1925, foi construído vizinho ao comércio de Alexandrino Cavalcante, o Mercado Publico Municipal, intento da administração Ernani Lauritzen, sendo inaugurado no dia 22 de outubro; Este prédio detinha acesso pelas ruas Maciel Pinheiro e Barão do Abiaí, transpassando todo o quarteirão.

Mercado Público Municipal (à esquera) e Feira Livre - Rua Maciel Pinheiro (1928)
 
Centro da efusão das novidades locais, foi na feira central que em 1905 fora apresentado à sociedade campinense o gramofone, considerado “um espetáculo onde todos correram para ouvir o bicho falante”, como narra Cristino Pimentel, em sua obra “Pedaços da História de Campina Grande, de 1958. Foi também na feira que se estabeleceram os primeira cinemas de Campina Grande; o Cine Brasil, o Cine-Theatro Apolo (construído onde era o Mercado Novo de Alexandrino Cavalcante em 1912) e o Cine Fox, todos de “saudosa memória”.

Em 1939 o então prefeito, Bento Figueiredo inicia a construção do mercado definitivo, no Bairro das Piabas (hoje Feira Central), onde se realizava a feira de gado, local conhecido pelos currais ali existentes, onde todos foram demolidos e transferidos para o Bairro de José Pinheiro, que estava em formação.

Sendo palco de disputas políticas e ideológicas, como a Revolta de Quebra-Quilos (1874) e a Revolta do Rasga-Vales (1895), a feira permaneceu de frente ao mercado novo até o ano de 1941 quando foi transferida, em definitivo, suas atividades para o inacabado Mercado Público do Bairro das Piabas, em 30 de agosto, pelo prefeito Vergniaud Wanderley.

Além da feira, o meretrício que ora funcionava na Rua Major Juvino do Ó (a Rua do Rói Couro), também fora transferido para as imediações do novo mercado, já havia 10 anos. Era conhecido como a Mandchúria e, em suas imediações, o auge da glória do Cassino Eldorado promoveu Campina Grande em nível regional, quando foi palco de grandes apresentações artísticas e local de ostentação de riquezas entre os anos de 1937 e 1942;
Detalhe do Muro Original do Mercado Central (atual)

A partir daí, a feira manteve-se no local determinado pela administração pública, expandindo suas atividades comerciais para as ruas adjacentes ao novo prédio, promovendo o orgulho municipal nos anos 70 de ser considerada a maior feira ao ar livre do Brasil.

Desde sua instalação, gradativamente ocorreu um “esquecimento” popular de que aquela localidade, hoje incorporada ao Centro da cidade como “Feira Central”, já fora o famoso Bairro das Piabas, ou os “Currais”.

Em seu processo de expansão, a Feira Livre de Campina Grande detinha uma forte imposição sobre o sistema econômico local, mesmo sem concorrer com os demais comerciantes da região central da Maciel Pinheiro e adjacências. Até 1983, por exemplo, todo o sistema de transportes coletivos tinha como passagem obrigatória a Feira Central, quando as linhas de ônibus funcionavam com rotas exclusivas para cada bairro. Este sistema foi modificado na administração Ronaldo Cunha Lima, alterando o ponto de intersecção para o Centro, da mesma forma que perdura até a atualidade.

Nos anos 80 a Feira Central de Campina Grande começa a sofrer a concorrência dos pequenos mercadinhos, instalados em suas imediações e, mais tarde, com a instalação do Supermercado Bompreço (Balaio) construído de frente à Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

Atualmente, apesar da concorrência imposta pelos grandes estabelecimentos que aportaram em nossa urbe, nossa Feira Central ainda é hoje o espaço mais democrático de comércio à céu aberto da nossa região, além de deter, de forma generalizada, todo o  mostruário da cultura nordestina.

Fonte Pesquisada:

COSTA, Antonio Albuquerque de. "Sucessões e Coexistências do Espaço Campinense na sua Inserção ao Meio Técnico-Científico-Informacional: a Feira de Campina Grande na Interface desse Projeto". UFPE. Recife-2003.

LOST: A Emoção do Final...

Posted: terça-feira, 25 de maio de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Lost Theme "Life and Death"


Eu não teria as palavras corretas para expressar o sentimento ao qual fora acometido ao "apagar das luzes" da série Lost.

Um mixto de comoção, estagnação; fiquei sem atitude, sem ação. Sem palavras, procurava um motivo para me levantar e desligar o computador e não conseguia... algo assim me atingiu como uma bala, me deixando catatônico ao final, não me deixando acreditar que ali acabava-se a "epopéia".

Não sei se me emocionei com o final, ou com o fim! 

Não sei se me conformei com as "respostas" que invadiram os episódios da quinta e sexta temporadas!

Não sei se consegui tecer uma rede da trama ao final das explicações...

Não importa. O que vale é que tivemos um excelente seriado, com magníficos episódios de suspense e mistério, que nos fez conjecturar suposições por 5 anos consecutivos, criando uma rede mundial de fãs em busca das respostas para os mistérios das vidas de cada sobreivente do vôo 815 da Oceanic Air, para os mistérios da ilha ou os segredos da Dharma, sobre quem era Jacob ou o monstro de fumaça...

O último episódio nos prendeu a atenção desde seu primeiro minuto, levando-nos ao desfecho que pode não ter sido o roteiro que imaginávamos onde tudo faria sentido... mas, enfim, ao final vimos que o mistério a ser desvendado era o segredo da felicidade não só dos personagens da série, como também das nossas próprias vidas.


Estamos próximos de “ser” Deus?

Posted: segunda-feira, 24 de maio de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Eu não sou um daqueles religiosos pregadores do falso moralismo, aquele grupo da hipocrisia reinante nas igrejas, que de forma passional credita à Deus tudo, de bom ou de mal, o que acontece no mundo e em nossas vidas pessoais.

Minha racionalidade me leva a acreditar em Deus, primeiro, porém sabendo que aqui na Terra, a humanidade é provida de dons peculiares e individuais para que, em sociedade, possam se elucidar os grandes enigmas antropológicos.

Um desses grandes enigmas é o dom da vida.

A ciência aplicada à medicina, em suas diversas ramificações subordinadas, vem desenvolvendo o maior avanço já imaginado para o setor! Com o advento da Biomedicina, subsidiado pelas constantes pesquisas genéticas desenvolvidas ao redor do Globo, o homem está cada vez mais próximo de elucidar o grande enigma do Universo.

Já vencemos o grande desafio genético com o mapeamento do DNA, através do Projeto Genoma, inclusive com a participação de uma equipe de cientistas brasileiros; passamos pelo desenvolvimento da clonagem (quem não se lembra da ovelha Dolly?); mais recentemente acompanhamos o “boom” no avanço de pesquisas com células-tronco e o sucesso incorrido em várias das suas aplicabilidades...

Mas, esta semana, fomos bombardeados com a manchete da década, em relação a todo o périplo constante da ciência em benefício da humanidade:  pela primeira vez, cientistas conseguiram criar uma célula controlada por um genoma sintético, desenvolvida a partir de instruções de computador.

O feito, que consumiu cerca de 40 (quarenta) milhões de dólares em seu fluxo total, é resultado de 15 anos de pesquisas nos laboratórios do conceituado geneticista norte-americano J. Craig Venter (foto).

No momento, extasiados pela notícia, a imprensa divulga à exaustão os benefícios futuros do intento: “No futuro, a técnica poderá ser usada para criar microrganismos com genoma artificial que sintetize proteínas de interesse econômico – capazes de descontaminar águas poluídas ou de atuar como vacinas ou biocombustíveis, [...] este avanço tecnológico promete possibilidades fantásticas e otimistas de produzir microrganismos capazes de fazer o que quisermos”, resume Sergio Pena do Ciência Hoje.

Porém, para toda ação existe uma reação!

Ao passo que a imprensa vislumbra-se com o feito, algumas correntes de jornalistas e cientistas já preparam a sociedade para os embates éticos da utilização da técnica, futuramente, assim como temem sua utilização para fins bélicos, a exemplo de armas biológicas, já que esta primeira produção sintética, amplamente comemorada se trata de uma bactéria!

Treze FC: A Confirmação do Favoritismo!

Posted: segunda-feira, 17 de maio de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Após empreender uma campanha regular na primeira fase do Campeonato Paraibano de Futebol 2010, a equipe do Treze, que se manteve líder ao longo dos dois turnos disputados na forma de pontos corridos, sagrou-se Campeão do certame neste domingo, ao vencer seu maior rival, o Campinense, pelo placar de 2 x 0.

Ao contrário do que possa parecer, o Campinense não disputava mais o título e, apenas, desempenhava a função de "pedra-no-sapato" do time do Treze, uma vez que qualquer resultado a seu favor daria o título do ano ao Botafogo de João Pessoa, que por sua vez goleava a equipe do Sousa por 4 x 2.

Ao final do Campeonato, ficam os méritos do cumprimento de um planejamento e a concessão do título ao técnico Marcelo Vilar, grande merecedor desde o ano passado, quando a equipe deixou escapar a chance de ser campeã na grande final contra o Sousa.

De certo, o segundo semestre nos reserva a participação em duas grandes competições: a Copa do Nordeste e o Campeonato Brasileiro Série D, em sua segunda edição, contando com uma vasta gama de equipes do todo o país, entre eles o aguerrido Santa Cruz de Pernambuco.

Com esta conquista, ganha Campina Grande pela manutenção da força do seu futebol em relação à representação dos times da Capital do estado.

Parabéns Treze Futebol Clube! Parabéns à maior torcida do estado da Paraíba!

"Seleção"??? Que seleção!

Posted: terça-feira, 11 de maio de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Eu volto a insistir num dos assuntos mais polêmicos do cenário masculino nacional: o grupo de jogadores da CBF, antigamente chamado de Seleção Brasileira de Futebol.

Como diria o saudoso jornalista campinense Humberto de Campos, "eu sou de um tempo..." que a maior glória para um profissional do futebol era ser convocado para a Seleção Brasileira, para que se pudesse recompensar o mérito do atleta e, consequentemente, o mesmo obter projeção mundial, em busca de novas conquistas, desbravando seu potencial em eventuais contratações futuras por grandes clubes europeus.

Isso fazia com que a predileção entre os convocados pela CBF fossem de jogadores com atuação em clubes nacionais, das grades torcidas de massa e detentores dos melhores conceitos entre o jornalismo esportivo.

A lógica era destacar-se internamente, almejar fazer parte do selecionado (ser patriota) e, posteriormente, realizar-se profissionalmente em suas curtas carreiras no futebol internacional.

Atualmente, não só o atleta brasileiro, assim como o próprio cidadão brasileiro, está tão mal acostumado com recentes conquistas de mundias que a Copa do Mundo perdeu o seu sabor. Nas últimas quatro Copas, o Brasil esteve presente em três finais, sendo campeão em duas: aquela gana que preencheu o hiato entre 1970 e 1994 sumiu, tornando-nos soberbos, "deuses" do futebol, atletas da mídia...

Como o sentido da ascensão profissional mudou, o jogador primeiro quer "se fazer" no futebol europeu, antes mesmo de ser destaque nos campeonatos nacionais, entre eles o pífio Campeonato Brasileiro de Futebol que de grande, só tem o tempo de oito meses que ocupa durante o ano.

Com suas carreiras profissionais financeiramente bem resolvidas, disputando títulos internacionais, a Copa do Mundo tem algum significado na vida da maioria dos atletas atuais?! Eu temo que não.

Daí vem o outro lado da moeda, a CBF e as suas convocações ao longo dos últimos oito anos, trazendo para seu selecionado jogadores de inexpressividade local, ídolos (ou não) de torcedores de outros países, em detrimento a grandes jogadores que dão seu suor pelos campeonatos nacionais, ídolos dos torcedores locais, patrimônio dos nossos grandes clubes brasileiros.

Particularmente falando, ainda não vi ninguém empolgado com esta Copa do Mundo 2010! Muitos por estes motivos que "elenquei".

À excessão da Rede Globo, que insiste em animar o torcedor brasileiro com mais este espetáculo midiático, não vejo mais os brasileiros com o brilho nos olhos ou com a sede que tinha até a conquista do quarto título, em 1994.

Sou bem radical ao ponto de achar que esta gana futebolística só seria retomada quando o Brasil "descesse do altar" ao qual ainda se encontra como "Deus", deixando de participar de umas duas Copas, provocando um efeito dominó, fazendo com que muitos dos conceitos atuais fossem revistos, principalmente o vício de poder existente nos cargos de presidentes da CBF e das Federações estaduais.

No mais, espero assistir bons jogos pela TV, vendo outros países dando show, quem sabe até jogos do Brasil mesmo, porém, sem nenhuma empolgação com esta "selecinha" escalada pelos patrocinadores da CBF.

Famosos Ensaiam Discurso de Campanha

Posted: segunda-feira, 3 de maio de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Esse nosso Brasil é uma vergonha, no que se refere a qualidade dos representantes eleitos para as diversas casas legislativas municipais ou estaduais.

Este ano seremos obrigados, mais uma vez, a depositarmos nossa "contribuição democrática" em mais um processo eleitoral recheado de protagonistas de escândalos inescrupulosos, que se apresentarão sorridentes, simpáticos, abraçando e beijando cidadãos de periferia e criancinhas sujas, com "bucho-de-verme".

Além desses políticos estereotipados, já conhecidos do nosso cotidiano, alguns produtos da mídia instantânea televisiva se credenciarão a preencher algumas vagas nas Câmaras de Deputados. Entre eles alguns desportistas, ex-BBBs, além de funkeiras cariocas.

A lista dos candidatáveis vai dos ex-jogadores Vampeta, Romário e Edmundo, passando pelo trapalhão Dedé Santana, pela funkeira (hoje "irmã-em-Cristo") Tati-Quebra-Barraco, além dos ex-BBBs Kléber Bambam e Jean Willys.

Embalados pelo efeito Clodovil e Frank Aguiar, ambos eleitos deputados federais em 2006, estes "tão bem preparados" agentes do entretenimento estão se preparando para fazer bonito em seus mandatos, caso eleitos forem, conforme declarou Bambam, à Agência Folha:  "Vou fazer um curso e pedir dicas para o meu cunhado, que é veterinário. Ele me instrui em tudo"

A lista ainda inclui a Rainha dos Taxistas Renata Frisson, a Mulher Melão, que tentará uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio pelo partido nanico PHS. Sua campanha já começou, inclusive lhe rendendo multas impostas pelo TRE-RJ por propaganda irregular, com imputação de multas R$ 5.000 a R$ 25 mil por cada faixa encontrada.

Outro ex-BBB em pré-campanha é o vencedor da edição número 5 do reality show Jean Willys, que se lança candidato a Deputado Federal pelo PSOL. "Desde que venci o programa, o que mais tenho feito é fugir do circo da mídia de entretenimento [...] Sei que a imprensa vai me botar no nicho do Romário e da Tati Quebra-Barraco, mas não sou isso. Tenho algo a dizer", declarou Jean á Agencia Folha.