Resgate Histórico: O Banco Industrial de Campina Grande S.A.

Posted: segunda-feira, 1 de março de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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por Emmanuel do Nascimento Sousa

Fundado pelo empreendedor João Rique Ferreira, em 1927, a instituição bancária que funcionava na base do Edifício Rique, na Rua Marquês do Herval, atingiu o ápice das suas atividades financeiras gerando lucratividade para seus sócios majoritários por quase cinco décadas.

 (Balanço Publicado no Jornal do Brasil em 03/02/70)

Foi considerado um dos maiores bancos do país, uma vez que detinha agências distribuídas em treze estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Guanabara (Rio de Janeiro), Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Sergipe e Paraná.

Em 1963, foi instituída sua logo. Considerada “um marco” no design brasileiro, foi desenvolvida pelo famoso designer Aloísio Magalhães, responsável pela criação de inúmeras marcas, entre elas, a primeira logo da Rede Globo, a Rosa dos Ventos, em 1965.

Esta logo, que mais parece uma ferradura, até hoje é marca registrada dos empreendimentos subseqüentes da família Rique, a exemplo da Rede Iguatemi de Shoppings Centers, iniciada na capital baiana. 

De acordo com o site do Sindicato dos Bancários de Campina Grande, o banco promovia uma espécie de “caça às bruxas”, punindo com demissão os funcionários que se associassem à entidade, no final dos anos 50.

Cheque do BICG  – Ag.Fortaleza-CE (1970) 

Por outro lado, o BICG foi uma das primeiras instituições bancárias a utilizar o sistema de auto serviço, conforme descreve a novidade o texto publicado na Revista Veja de 03 de março de 1971:


Nos anos 70, o sucessor de João Rique na presidência do banco, o ex-prefeito campinense Newton Vieira Rique, usando de todo seu prestígio social, utilizou-se de uma jogada de gênio para o marketing da instituição ao contratar, como funcionário do banco, ninguém menos que Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, nomeando-o como Diretor de Relações Públicas; agregando sua imagem aos eventos promovidos pelo BICG, principalmente no estado de São Paulo.


Considerado por muitos como “o paraíba que emprestava dinheiro aos ricos do sul”, ou seja, o homem que tirava a corda do pescoço dos empresários do sudeste, Newton Vieira Rique se viu obrigado a negociar a instituição bancária em julho de 1972, sendo a empresa incorporada ao Banco Mercantil do Brasil pela quantia de 126 milhões de Cruzeiros.

Às lágrimas, no Rio de Janeiro, Newton Rique aos 41 anos, comunicara a concretização da transação aos seus executivos, uma vez que lamentava o destino ao qual fora lançado o grande empreendimento bancário nascido da garra do seu fundador, João Rique. 

“Não fosse a mudança brusca nas regras do jogo, na formação dos grandes conglomerados, temos certeza de que teríamos resistido. Faltou-nos um pouco mais de tempo.” (Newton Rique, sobre as razões da venda)

Em homenagem ao empreendedorismo do seu fundador, uma estátua de João Rique foi afixada em frente ao Edifício que leva seu nome, donde funcionou a instituição em Campina Grande, na área batizada como “Monumento João Rique”.

Fontes:
Sindicato dos Bancários de C. Grande (http://www.bancarioscg.com.br/)
Wikipédia (http://pt.wikipedia.org)
Jornal do Brasil
Revista Veja

1 comentários:

  1. J. Junior says:

    Este texto mostra claramente que o que faltou a Campina Grande foram administradores. Os gestores que por aqui passaram no "alge" desta Cidade, não foram "administradores", mas sim "políticos". Não apenas esta Instituição, mas quantas fábricas, indústrias, etc não conseguiram manter-se na cidade. Espero que nos próximos anos possamos ter algum resgate de tudo isso e ver esta cidade desenvolver.