As Indefinições Políticas na Paraíba!

Posted: quarta-feira, 3 de março de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Claro, ano eleitoral, as atenções da imprensa se voltam ao cenário político de forma plena, fazendo com que os detentores de cargos eletivos se sobressaiam, em termos pessoais, às suas representatividades institucionais.

Comumente, líderes partidários se confraternizam com seus confrades; costurando alianças, promovendo intrigas, barganhando com as maiores forças estabelecidas...

Há dois anos, desde os resultados das últimas eleições para prefeito, que os prognósticos para o ano de 2010 já eram discutidos, em suas possibilidades e potencialidades entre os protagonistas e figurantes do findo pleito.

No caso da Paraíba, àquela época, havia dois nomes “de proa”, emergentes na política estadual, despontando como prováveis postulantes ao cargo de governador: Ricardo Coutinho e Veneziano Vital, prefeitos de João Pessoa e Campina Grande, respectivamente.

De oposicionistas aliados à discretos adversários, Ricardo e Veneziano tomaram destinos e condutas díspares, efetivamente, após a cassação do ex-governador Cássio Cunha, no início de 2009.

Com a condução de José Maranhão ao Palácio da Redenção, este ganha a condição de candidato natural à re-eleição, frustrando os correligionários de Veneziano Vital, além de favorecer a definição de Ricardo Coutinho como adversário oposicionista.

Até o acontecer desses fatos, Ricardo Coutinho figurava como “o preferido” para assumir o cargo de governador, ante sua trajetória política desde que fora vereador na Capital, até sua reeleição como prefeito; pela sua conduta gestora e, principalmente, por representar a terceira corrente da política paraibana, em contraponto a bilateralidade impetrada há mais de vinte anos.

A gana pela vitória, digo, por derrotar José Maranhão, fez brotar o fato mais inesperado: Cássio Cunha, extirpado do cargo, adere à candidatura de Ricardo Coutinho, arrebanhando, com ele, toda a leva de aliados dos partidos de direita e extrema direita para dar apoio ao candidato socialista, que (pasmem) teve sua história política traçada, desde sua gênese, com raízes petistas.

A preço de hoje, Ricardo Coutinho assumiu uma dívida de honra com seu eleitorado, uma vez que entra em contradição com sua própria ideologia política. Além do quê, provavelmente deve ter perdido uma boa quantidade de admiradores das demais micro-regiões do estado ao receber o apoio do ex-governador “ame-o ou odeie-o”!

Estamos à três meses do prazo para realização das convenções; portanto, cada dia de 24hs carrega um turbilhão de possibilidades de coalizões partidárias, inclusive as mais improváveis.

De certo, Ricardo Coutinho já se anuncia candidato, com o apoio declarado de Cássio Cunha e alguns peessedebistas de pouca densidade eleitoral, do DEM encabeçado pelo (ainda) senador Efraim Moraes, além da corrente “cassista” do PT.

Pelo lado da situação, José Maranhão, em sua indefectível “trankilidade”, joga com nomes sugeridos pela composição da chapa majoritária com figuras potenciais como Vital Filho, Wilson Santiago, Veneziano Vital além do inexpressivo Luciano Cartaxo, seu atual vice.

Não esqueçamos, porém, que correndo por fora vem a corrente “cicerista” do PSDB que pretende ter Cícero Lucena como candidato a governador, já com o apoio do forte deputado federal Wellington Roberto como pretenso candidato a senador.

De resto, ficam as dúvidas... Teremos até o mês de junho a definição do cabo de guerra no PSDB: far-se-á a vontade pessoal de Cássio, ou a teima de Cícero? E na situação, fica Vené na PMCG, ou sai Vené candidato mas, à quê? E Roberto Cavalcanti? E o padre Luiz Couto? E o PTB de Armando Abílio que chegou a intimar Ricardo Coutinho a aceitar Carlos Dunga como seu vice? E o PDT de Damião Feliciano, que até agora não se pronunciou?

Cantemos: “As águas vão rolar...”

2 comentários:

  1. André Ayres says:

    Caro, Maneh... a nossa velha Paraíba e suas disputas de brios. Eu torcia pelo Ricardo Coutinho, porém, sendo o "novo" na política estadual. Infelizmente, continuamos com, apenas, dois lados na nossa política!

  1. J Junior says:

    Essa política da Paraíba.... O único Estado em que a política nao para. Até outros pleitos, ainda era respeitado o espaço de dois anos, mas ultimamente esse povo deste estado come, respira, vive e morre pela política.