O BBB e a Sociedade do Espetáculo

Posted: domingo, 28 de fevereiro de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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por Rodolpho Raphael, www.noticiaesperancense.com.br

Os traços de nossa cultura, a semelhança e os mais diferentes dilemas são hoje freqüentemente refletidos na mídia. Um fato exemplar são os Reality Shows apresentados na TV. Para pensarmos sobre a valorização e banalização espetacular da vida íntima, tomo como foco o “Big Brother” (BBB), apresentado pela rede Globo de Televisão.  O interesse e a apreciação pela vida íntima foram mencionados pelas teorizações do sociólogo Richard Sennett (1999). 

O conhecimento de si como interioridade surge com a lógica público/privado que marcara a modernidade, logo, a exibição da intimidade em nossa sociedade é originária da “exploração da vida privada”, um desses valores seria a preservação da intimidade (sagrada em tempos remotos), agora, frente a sua transformação e fraqueza, está fadada, definitivamente, a sua decadência e eliminação. 

Quanto à passividade dos curiosos telespectadores do “BBB”, é identificado um consumo indiferente de imagens por um público devoto do “lixo televisivo”, que agita em presença do espetáculo fomentado pela indústria do entretenimento e pela ficção do “real”; são imagens de banalidades e “bisbilhotagem” da vida alheia e privada de pessoas desconhecidas e distantes que passam a parecer próximas.

Guy Debord (1997), abordando sobre a sociedade do espetáculo, chamou atenção para o poder do espetáculo em termos de construção da alienação influente da audiência apática, assim, ensina que o espetáculo na sociedade satisfaz a uma fabricação concreta da alienação, pois, quem fica apenas observando o que vem depois, não age.


Com isso, o “BBB” não passa de uma estrutura inteligente, um vaivém de simulações como se de fato não fosse. Embora a armação tome o contorno de uma novela, (a tática ideológica concentrada que vai além dela).
A mídia hoje não estaria reproduzindo o mesmo acontecimento através da indústria do entretenimento e do espetáculo? Os costumes são fenômenos do passado ou apenas alteraram suas formas? Atualmente avistamos o “mundo” através da mídia, ou apenas “sombras” de um “real”, mediante um fato produzido? 

Um dos dilemas é que no mundo simulado temos a supressão do mundo moderno, assim, há uma imposição das máscaras dos fatos. Portanto, no “BBB” existe um véu de aparências que é produzido como essência pela força das imagens hipnóticas produzidas. Jean Baudrillard (1991) já nos havia comprovado que hoje não pensamos o virtual, ele é que nos pensa, pois, é essa transparência insignificante que nos afasta definitivamente do real.

Avatar: Definitamente, Arte e Cinema Juntos!

Posted: terça-feira, 16 de fevereiro de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Eu pensei que, deixando para ir ao cinema no feriado de carnaval, aproveitaria o conforto da sala de cinema do Multiplex de Campina Grande reservado, apenas, a pouquíssimos expectadores retardatários do maior fenômeno cinematográfico recente: ledo engano!

Terça-feira de carnaval, 17:30hs, finalzinho da tarde, quase dois meses desde sua estréia... mas, lá estava uma lotação completa da sala de exibição, com direito a pessoas acomodadas (sic!) em pé para delirar com o “show” de filme nos oferecido por James Cameron.

Avatar nos leva ao Planeta Pandora, à bordo das naves batedoras terráqueas que saqueiam o rico mineral existente no subsolo daquele mundo, valendo-se de técnicas bélicas para tal intento, uma vez que as primeiras tentativas diplomáticas não obtiveram pleno êxito anteriormente.

O impressionante jogo de luzes e cores empregado pela equipe de cenografia e efeitos especiais nos insere no mundo de Pandora através do Projeto Avatar: possibilitando a transferência da consciência humana para um clone desenvolvido especialmente para este fim, à base do DNA nativo, somado ao DNA do terráqueo que o incorporará.

Guardada as devidas proporções, é uma espécie de “Second Life”, onde uma pessoa assume uma segunda personalidade, conduzindo seus desígnios vitais, de forma paralela, enquanto se mantém inerte em câmaras de hibernação induzida.

O ineditismo do roteiro de Avatar está em mostrar os terráqueos como “os visitantes”; os hostis dentro de um contato de 3º grau. É o contrário dos grandes filmes já desenvolvidos sobre relações extraterrenas, onde somos os visitados e, conseqüentemente, os hostilizados!

A grandiosidade da obra cinematográfica, como um todo, é digna SIM de todos os méritos cinematográficos: roteiro, fotografia, elenco, direção.. enfim, estamos diante da grande obra do cinema, que desbancou o recorde de bilheteria detido pelo filme “Titanic”, coincidência ou não, outro filme do conceituadíssimo diretor James Cameron.

Aos que, assim como eu, absorveram cada segundo da arte provida por Avatar, delirando com as espetaculares cenas de ação e fantasia protagonizadas por Sam Worthington, Sigourney Weaver e Zoe Saldana, salientando ainda o efeito 3-D, vale saborear as lembranças e torcer para que esta produção obtenha os conceitos necessários junto à Academia de Cinema de Hollywood, vertendo-os em Oscars; tantos quantos esta magnífica obra da Sétima Arte esteja apta a obtê-los.

A Sub-Existência do "Encontro para a Nova Consciência"

Posted: quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Há 18 anos, Campina Grande notabilizou-se nacionalmente (até internacionalmente) pela realização de um grande encontro ecumênico, onde o foco era a intelectualidade e a espiritualidade. Onde pessoas de todas as religiões reuniram-se para discutir e aprender.

Surgia, no ano de 1992, o Encontro para a Nova Consciência! 

Após o sucesso alcançado em sua primeira edição, o Encontro alcançou um respaldo ímpar, atraindo nos anos subseqüentes, grandes nomes do pensamento livre e formadores de opinião. Um evento único no mundo que conseguiu envolver no período momesco, as maiores personalidades nacionais e internacionais, para a abordagem de temas de interesse da humanidade, exercitando a tolerância, o diálogo inter-religioso, o desenvolvimento sustentável e inclusão social.

Em seus primeiros anos, os grandes líderes políticos e religiosos de Campina Grande participaram, ativamente, à exemplo do Bispo Diocesano Dom Luis Gonzaga Fernandes, que sempre fez questão de ressaltar a unidade entre as crenças em busca de um objetivo comum, com fins pacíficos.

Alguns anos mais tarde, duas correntes religiosas, díspares e imiscíveis, os Católicos Carismáticos e os Evangélicos, desenvolveram seus próprios encontros, enfraquecendo a participação maciça no evento macro de respaldo internacional.

Dispostos de apelos de cunho estritamente religioso, estes dois novos encontros colheram, em sua grande massa de participantes, os fiéis seguidores das igrejas envolvidas. O "Crescer" acolhe os católicos carismáticos e simpatizantes do movimento da Renovação Carismática Católica, enquanto o "Encontro Para a Consciência Cristã" arrebata os evangélicos de forma geral.

Ano, após ano, estas duas agremiações fortaleceram seus eventos de forma que, praticamente, transformou Campina Grande em uma cidade de eventos religiosos, em detrimento à maximização discutida à nível macro no Encontro para Nova Consciência, em períodos pretéritos. Atualmente, existem, além dos dois aqui discutidos, os encontros religiosos dos Espíritas; o "MIEP", dos Judeus; "Amigos da Torah", de outra comunidade da RCC, os Remidos... 

A verdade nua e crua é que o Encontro para Nova Consciência, hoje, sub-existe!

É um evento que ainda consegue sobreviver porém, sendo realizado em um formato micro de abrangência, alcance e participação popular. Está muito longe de possuir a magnitude, a plenitude e a potencialidade nacional, e internacional, que já possuiu.

Isso só prova que nossa comunidade é incapaz de se unir em torno de um objetivo comum! Um pensamento único em torno do bem estar comum não basta! A rivalidade entre as religiões impede a união dos povos. Infelizmente, somos obrigados a conviver com grupos de líderes que continuam pregando serem os melhores, entre os piores.

Estes piores sou eu, é você... além dos demais, não comuns ao mesmo ciclo de seguidores das suas correntes religiosas.

(No Blog Retalhos Históricos de Campina Grande, postamos, há algum tempo, alguns vídeos do 1º Encontro para a Nova Consciência realizado no ano de 1992: http://cgretalhos.blogspot.com/2009/11/o-encontro-da-nova-consciencia-em-1992.html)

Réquiem Para um Tribuno

Posted: terça-feira, 2 de fevereiro de 2010 by Emmanuel do N. Sousa in
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Campina Grande, mãe amável e acalentadora, acostumou-se a chamá-lo de "Fuscão Preto" face aos inconfundíveis ternos pretos costumeiramente trajados.

Antonio Vital do Rego, filho do saudoso Major Veneziano Vital do Rego, detinha em suas veias o sangue guerreiro do político tradicional da Serra da Borborema.

Foi Deputado Estadual no período de 1959 a 1963, quando elegeu-se, pela primeira vez, Deputado Federal para exercer o mandato de 1963 a 1969, até ser cassado pela famigerada Ditadura Militar.

Nos anos em que ficou afastado da vida política, dedicou-se às atividades jurídicas e de docência, exercendo a função de professor de Direito e de Sociologia, donde lecionou em importantes instituições de ensino superior do país, a exemplo da UFPB, UEPB, da USP e da Fundação Universidade Regional do Nordeste, quando foi Reitor, até o ano de 1982, renunciando ao cargo para concorrer nas eleições para Prefeito de Campina Grande, tendo sido derrotado por Ronaldo Cunha Lima, outro egresso dos maléficos Atos Insitucionais do Governo Militar.
Retonou à Câmara Federal entre os anos de 1991 a 1995, seu último mandato eletivo alcançado. Rompido politicamente com os filhos Veneziano e Vital Filho, tentou seu retorno ao Congresso em 2000, não logrando êxito, haja visto a concorrência do próprio filho Veneziano.

Alguns anos mais tarde, a reconciliação familiar ocorrera, permitindo a participação do Tribuno na campanha de Veneziano à reeleição no ano de 2008.

Tendo passado por várias agremiações partidárias, como PSD, UDN, Arena, PDT e PMDB. Deteve-se comoum dos mais respeitados juristas do Estado, tendo inclusive presidido a Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Paraíba, ocupando ainda o cargo de Procurador do Estado da Paraíba entre os anor de 1987 a 1990.

Com a morte de Vital do Rego, Campina Grande sepulta um dos últimos tribunos da História política recente, à exemplo de Raimundo Asfora. 

Hoje, 02 de Fevereiro de 2010, nos depedimos do velho Vital, com a certeza de que, ao conduzirem-no à morada eterna, em seu féretro, estará lhe acompanhando grande parte da História de Campina Grande.