Pedagogia Tecnológica

Posted: quinta-feira, 5 de novembro de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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É difícil estabelecer um paralelo entre a educação tradicional, recebida pelas nossas crianças em sala de aula, com o avanço tecnológico cotidianamente crescente.

Como buscar o direcionamento ideal entre o ensino pedagógico gradual, recebido durante a fase de alfabetização, e as diversas ferramentas de inclusão tecnológica presentes fora da escola?

Enquanto que nos educandários a catequização do “bê-a-bá” segue o ritmo natural do desenvolvimento psico-pedagógico determinado pela ciência, em casa estes infantes prodígios acham-se à mercê do autodidatismo tecnológico. Ou seja, desenvolvendo técnicas empíricas de escrita, linguagem e sinergia através do uso (às vezes deliberado) de aparelhos eletrônicos cada vez mais sofisticados, de uso prático e de ampla presença nos lares brasileiros.

Foi matéria em diversos programas de TV a dificuldade que professores, em diversos locais do Brasil, encontram na prática da produção textual entre seus alunos, justamente pela confusão praticada entre a linguagem coloquial adotada no uso de instrumentos virtuais e a linguagem culta promovida pelo ensino gramatical. Uma pesquisa realizada pela instituição britânica Cranfield School of Management apontou que os próprios entrevistados (alunos de 11 a 18 anos) reconhecem a deficiência em seu aprendizado pelo uso intenso de aparelhos eletrônicos (computadores, celulares, pagers, etc).

Entre os entrevistados, 60% disseram ser “muito” e "bastante" viciados na web, enquanto 50% afirmaram o mesmo sobre seus telefones celulares, e em relação a problemas no aprendizado, 39,3% dos adolescentes admitiram que as abreviações utilizadas em mensagens de textos prejudicam a qualidade de seu inglês, principalmente quando se trata de soletrar as palavras.

SMS, Twitter, Facebook, Orkut, MySpace, MSN, Torpedos, Blogs... Estas e mais uma infinidade de ferramentas de inter-relacionamento pessoal presentes na grande rede estão entrando, cada vez mais cedo, na vida das nossas crianças, promovendo uma verdadeira contramão no ensino recebido em sala de aula.

Como se já não bastasse alguns programas de TV que “deseducam”, agora é preciso também, que nos preocupemos com o momento ideal em que uma criança deve ser apresentada às mídias digitais e suas tecnologias cada vez mais avançadas e de simples utilização, evitando assim o confronto direto com o processo pedagógico de alfabetização.

Da forma como a tecnologia vem envolvendo todas as áreas do conhecimento e promovendo uma verdadeira dependência do homem ao universo digital, muito brevemente os conceitos tradicionais de alfabetização deverão passar por uma grande reforma buscando, justamente, traçar o caminho para que educação e avanço tecnológico trilhem o mesmo caminho, lado a lado, rumo aos novos milênios que hão de vir.

3 comentários:

  1. Christiane Costa (Pedagoga) says:

    Acho que os professores precisam urgentimente reciclarem-se para atender a necessidade da nova era tecnologica que avança de uma forma extramamente veloz, fazendo com que muitos se desesperem, e não tenham um norte.
    As universidade precisam acrescentar com urgencia uma disciplina que atendam essa "nova era" que a cada dia se torna velha por conta da velocidade das inovações.

  1. J. Junior says:

    Este texto me fez lembrar do tempo em que comecei os primeiros passos escolares. Lembro bem que à epoca existia apenas o tradiconal giz branco; depois vieram os coloridos, em seguida a famosa losa.....e pasmem, assisti a uma reportagem em que quadro tornou-se coisa do passado, nos tempos atuais nas escolas que estao acompanhando este enfatizado "avanco" tecnologico, os alunos teem em suas mesas nao mais canetas, mas sim micros que sao utilizados para a digitacao da aula.

    Fica uma pergunta: ate onde a inclusao tecnologica ofere risco a capacidade intelectual de nossos alunos??

    Abraco SR Mane, excelente texto.

  1. J. Junior says:

    Este texto me fez lembrar do tempo em que comecei os primeiros passos escolares. Lembro bem que à epoca existia apenas o tradiconal giz branco; depois vieram os coloridos, em seguida a famosa losa.....e pasmem, assisti a uma reportagem em que quadro tornou-se coisa do passado, nos tempos atuais nas escolas que estao acompanhando este enfatizado "avanco" tecnologico, os alunos teem em suas mesas nao mais canetas, mas sim micros que sao utilizados para a digitacao da aula.

    Fica uma pergunta: ate onde a inclusao tecnologica ofere risco a capacidade intelectual de nossos alunos??

    Abraco SR Mane, excelente texto.