O Tempo não Pára, mas Devia ser Revisto!

Posted: segunda-feira, 23 de novembro de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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Na semana passada, mais uma vez, me decepcionei com outro programa biográfico exibido pela Rede Globo, abordando o anárquico Cazuza como o mártir do Rock nacional.

Depois de ter sentido náuseas assistindo ao longa metragem de Walter Carvalho, produzido em 2004, protagonizado pelo ator Daniel de Oliveira, mais uma vez me senti estarrecido pela forma como se idolatram os piores exemplos de figuras da nossa cultura.

Até parece que a prática da vida devassa e insana foi o pré-requisito para que Cazuza fosse alçado à condição de eterno ídolo da MPB.

Cazuza, representa tudo de negativo que um ser humano pode possuir: mimado, insolente, orgulhoso, anárquico, viciado, promíscuo...

Tudo bem que existe o ponto de vista dúbio presente em ambas as produções: o cara foi ídolo de uma geração por compartilhar do que era modismo em sua época e/ou foi vítima da sua própria vida transloucada repleta de abusos e exageros.

Um e-mail no estilo carta-aberta vem circulando na internet nos últimos dias, como se tivera sido escrito por uma psicóloga (assina como "Karla Christina"), indicando o grau de insalubridade ao qual nossas filhos estão expostos diante do culto às práticas marginais por parte dos ícones culturais de grandes massas, como os apresentados nos longa-metragens e nos programas de TV.


Ela diz que a morte de Cazuza pode ser creditada à falta de rigidez na educação promovida pelos seus pais, nas figuras de uma mãe que "vivia para satisfazer as vontades do filho" e de um pai omisso que preferiu afastar-se das responsabilidades paternas, ante as atitudes geniosas do unigênito.

Independente de quem tem culpa no produto final, gerado na figura de um jovem rico e irresponsável, que viveu exclusivamente para chocar e confrontar tradições, a imagem que é passada para os seus fãs, entre eles essa nova geração de jovens, filhos da geração 80's, prefere abordar a imperfeição moral do indivíduo às suas produções musicais.

Aliás, músicas estas, tão mais construtivas para se edificar sua imagem de ídolo da Música Popular Brasileira e do Rock Nacional. 

3 comentários:

  1. Edmilson says:

    Comentário fantástico e, sobretudo, sensato. Pois, meu caro amigo Emmanuel, isso é o que podemos chamar de uma verdadeira hipocrisia artística no cenário musical e cultural brasileiro. Esse e outros, fantasiam as mentes adolescentes e colocam em risco a educação dos nossos futuros filhos. Parabéns pelo artigo, que sem dúvida é verdadeiro.

  1. André Ayres says:

    Grande, Manneh...
    Como sempre, pegando pesado!
    Mas, penso como você: o que vale é mostrar sua música, sua vida pessoal pregressa não é motivo de glória.
    Abraços

  1. J. Alves Junior says:

    Tenho a opiniao de que foi esse Cazuza que trouxe o virus da AIDS para o Brasil.