Brasil, quem te viu, quem te vê!

Posted: quinta-feira, 26 de novembro de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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Tenho muito nítida em minha memória uma entrevista concedida por Cid Moreira, então âncora do Jornal Nacional, o jornalista de maior credibilidade no Brasil até ser usurpado da cadeira de apresentador do noticiário mais influente do país.

Esta entrevista foi colhida nos famigerados Anos 80, pela também apresentadora da Rede Globo, Leda Nagle, para o Jornal Hoje, quando o Brasil não dispunha de nenhum crédito financeiro junto a entidades corporativas internas, externas, muito menos ao próprio povo brasileiro.

O peculiar em sua oitiva era que, diante da imagem de descrétido que nosso país apresentava, lhe fora perguntado qual a manchete que ele sonhava em anunciar no Jornal Nacional. Sua resposta não precisou mais do que o tempo de um piscar de olhos: "...a manchete que sonho um dia anunciar é: Brasil empresta 100 milhões de dólares aos Estados Unidos!".

Pois bem! E eis que, vinte anos depois desse desejo, nosso Brasil propõe uma imagem totalmente diferente da que era visualizada àquela época.

Alguns meses atrás foi William Bonner, atual âncora do Jornal Nacional, quem anunciou uma manchete que inflaria o peito de Cid Moreira de orgulho, noticiando que o Brasil (pasmém!) disponibilizaria um aporte de US$ 10 bilhões ao FMI, Fundo Monetário Internacional (grande algoz do nosso país em épocas de inflação), para o programa "New Arrangement to Borrow" (Novo Arranjo para Empréstimos).

Ou seja, viramos o placar do jogo!

A entidade que antes sufocava o Ministério da Fazenda, ao ponto de exigir que cada novo ministro lançasse planos e mais planos econômicos objetivando amenizar a crise financeira que teimava em nunca nos abandonar, agora é que recorre ao nosso prestígio financeiro, em constante crescência junto à comunidade internacional.

Como se já não bastasse este regozijo, hoje foi anunciado pelo Ministro Güido Mantega um aumento nesse aporte! O valor disponibilizado pelo Brasil ao FMI passa de US$ 10 bilhões para US$ 14 bilhões.

Com isso, o país (que integra o G20) passa a ter poder de veto junto as decisões do FMI relacionadas com o programa que servirá para ajudar os países com problemas econômicos diversos e para incentivo às exportações e importações.

Este é o nosso novo Brasil, quem te viu... quem te vê!

O Tempo não Pára, mas Devia ser Revisto!

Posted: segunda-feira, 23 de novembro de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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Na semana passada, mais uma vez, me decepcionei com outro programa biográfico exibido pela Rede Globo, abordando o anárquico Cazuza como o mártir do Rock nacional.

Depois de ter sentido náuseas assistindo ao longa metragem de Walter Carvalho, produzido em 2004, protagonizado pelo ator Daniel de Oliveira, mais uma vez me senti estarrecido pela forma como se idolatram os piores exemplos de figuras da nossa cultura.

Até parece que a prática da vida devassa e insana foi o pré-requisito para que Cazuza fosse alçado à condição de eterno ídolo da MPB.

Cazuza, representa tudo de negativo que um ser humano pode possuir: mimado, insolente, orgulhoso, anárquico, viciado, promíscuo...

Tudo bem que existe o ponto de vista dúbio presente em ambas as produções: o cara foi ídolo de uma geração por compartilhar do que era modismo em sua época e/ou foi vítima da sua própria vida transloucada repleta de abusos e exageros.

Um e-mail no estilo carta-aberta vem circulando na internet nos últimos dias, como se tivera sido escrito por uma psicóloga (assina como "Karla Christina"), indicando o grau de insalubridade ao qual nossas filhos estão expostos diante do culto às práticas marginais por parte dos ícones culturais de grandes massas, como os apresentados nos longa-metragens e nos programas de TV.


Ela diz que a morte de Cazuza pode ser creditada à falta de rigidez na educação promovida pelos seus pais, nas figuras de uma mãe que "vivia para satisfazer as vontades do filho" e de um pai omisso que preferiu afastar-se das responsabilidades paternas, ante as atitudes geniosas do unigênito.

Independente de quem tem culpa no produto final, gerado na figura de um jovem rico e irresponsável, que viveu exclusivamente para chocar e confrontar tradições, a imagem que é passada para os seus fãs, entre eles essa nova geração de jovens, filhos da geração 80's, prefere abordar a imperfeição moral do indivíduo às suas produções musicais.

Aliás, músicas estas, tão mais construtivas para se edificar sua imagem de ídolo da Música Popular Brasileira e do Rock Nacional. 

Viver a Vida: Ao Som da Boa Música

Posted: segunda-feira, 16 de novembro de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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Elogiar os roteiros criados por Manoel Carlos para suas telenovelas seria pleonasmo; chover no molhado, como costumamos tratar em linguagem coloquial.

Outro ponto positivo das suas colaborações ao ambiente da ficção, ao qual nos entregamos com profunda segurança de estamos assistindo uma ótima produção, no horário nobre da televisão brasileira, é a escolha das trilhas sonoras utilizadas em suas tramas.

Cuidadosamente selecionadas, até parece que as músicas foram compostas por encomenda para seus personagens, tamanha é a identificação que o conjunto letra/música impacta à cada ator na sua interpretação.

Atualmente em exibição, a novela “Viver a Vida” nos brindou com duas pérolas da MPB.

Além da qualidade musical citada, marca o retorno de dois ícones do gênero romântico aos temas de novela: Roberto Carlos, com sua canção “A Mulher Que Eu Amo” e o inesquecível Dalto, grande ídolo dos anos 80 com suas ótimas baladas românticas, resgatado ao cenário novelístico com “Faça um Pedido”.

Peço licença para credenciar um artista novato, mas de muito potencial, estreante no mercado fonográfico das soundtracks; o cantor Rick Vallen, revelado nos programas de calouros do apresentador Raul Gil, que interpreta a belíssima canção “Pra ser Amor”.

Contam os mais íntimos que Manoel Carlos, o Maneco, carinhosamente tratado por estes, escreve suas novelas ao som de Bossa Nova. Ou seja, a qualidade das suas produções começa bem antes das idéias se tornarem linhas gráficas digitadas ao computador.

As trilhas sonoras das novelas de Manoel Carlos são perenes. Composições que promovem um deleite aos nossos ouvidos, tão castigados pelo mercado fonográfico atual, repleto de músicas que propagam ritmos e letras voláteis, consumíveis a curto prazo.



Roberto Carlos - A Mulher que Eu Amo

Constrangimento na Uniban

Posted: segunda-feira, 9 de novembro de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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Foram imagens impressionantes as captadas por dezenas de celurares de alunos da Uniban (Universidade Bandeirante) em São Bernardo do Campo-SP, acerca do incidente envolvendo a estudante do curso de Turismo Geisy Arruda, de 20 anos.

Assistindo ao vídeo/reportagem o incidente assusta, lembrando um motim em presídio. Cena, realmente, chocante de um tumulto generalizado dentro de uma instituição superior de ensino.

Resumindo, a aluna adentrou ao recinto trajando um minúsculo vestido, claramente intencional, buscando causar furor entre o elenco discente masculino.

O que ela não esperava é que seu propósito tomasse a proporção de mobilizar toda a comunidade acadêmica em uníssono, perjorativando-na com palavras de baixo calão, obrigando a reitoria solicitar reforço policial para conter os ânimos dos alunos e promover proteção à protagonista da confusão premeditada.

Na verdade, a Uniban tomou uma atitude drástica e expulsou a aluna da instituição, após a apuração do fato ocorrido.

Justificou que a aluna era reincidente na prática do sex appeal e que a mesma não demostrava comportamento condinzente com o ambiente acadêmico, tendo sido alertada e não modificando seu comportamento ao ponto de provocar o constrangedor caso policial registrado na última semana.

Aproveitando seus cinco minutos de fama, a jovem Geisy Arruda já coleciona em sua agenda diversos convites para participação em programas sensacionalistas da TV brasileira.

É o velho pão e circo da nossa cultura televisiva!

A garota mostrou o que quis - queiram ter visto ou não, os alunos, -reinou a falsa-hipocrisia da comunidade acadêmica! A instituição superior imputou-lhe a punição máxima, a mídia vem deitando e rolando sobre o caso e a promotora de toda essa balbúrdia colhe os "louros" da fama, por enquanto que sua presença for rentável aos programas de TV, claro, até outro caso absurdo tomar seu lugar na mídia.

Pedagogia Tecnológica

Posted: quinta-feira, 5 de novembro de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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É difícil estabelecer um paralelo entre a educação tradicional, recebida pelas nossas crianças em sala de aula, com o avanço tecnológico cotidianamente crescente.

Como buscar o direcionamento ideal entre o ensino pedagógico gradual, recebido durante a fase de alfabetização, e as diversas ferramentas de inclusão tecnológica presentes fora da escola?

Enquanto que nos educandários a catequização do “bê-a-bá” segue o ritmo natural do desenvolvimento psico-pedagógico determinado pela ciência, em casa estes infantes prodígios acham-se à mercê do autodidatismo tecnológico. Ou seja, desenvolvendo técnicas empíricas de escrita, linguagem e sinergia através do uso (às vezes deliberado) de aparelhos eletrônicos cada vez mais sofisticados, de uso prático e de ampla presença nos lares brasileiros.

Foi matéria em diversos programas de TV a dificuldade que professores, em diversos locais do Brasil, encontram na prática da produção textual entre seus alunos, justamente pela confusão praticada entre a linguagem coloquial adotada no uso de instrumentos virtuais e a linguagem culta promovida pelo ensino gramatical. Uma pesquisa realizada pela instituição britânica Cranfield School of Management apontou que os próprios entrevistados (alunos de 11 a 18 anos) reconhecem a deficiência em seu aprendizado pelo uso intenso de aparelhos eletrônicos (computadores, celulares, pagers, etc).

Entre os entrevistados, 60% disseram ser “muito” e "bastante" viciados na web, enquanto 50% afirmaram o mesmo sobre seus telefones celulares, e em relação a problemas no aprendizado, 39,3% dos adolescentes admitiram que as abreviações utilizadas em mensagens de textos prejudicam a qualidade de seu inglês, principalmente quando se trata de soletrar as palavras.

SMS, Twitter, Facebook, Orkut, MySpace, MSN, Torpedos, Blogs... Estas e mais uma infinidade de ferramentas de inter-relacionamento pessoal presentes na grande rede estão entrando, cada vez mais cedo, na vida das nossas crianças, promovendo uma verdadeira contramão no ensino recebido em sala de aula.

Como se já não bastasse alguns programas de TV que “deseducam”, agora é preciso também, que nos preocupemos com o momento ideal em que uma criança deve ser apresentada às mídias digitais e suas tecnologias cada vez mais avançadas e de simples utilização, evitando assim o confronto direto com o processo pedagógico de alfabetização.

Da forma como a tecnologia vem envolvendo todas as áreas do conhecimento e promovendo uma verdadeira dependência do homem ao universo digital, muito brevemente os conceitos tradicionais de alfabetização deverão passar por uma grande reforma buscando, justamente, traçar o caminho para que educação e avanço tecnológico trilhem o mesmo caminho, lado a lado, rumo aos novos milênios que hão de vir.