O Filho do Demo, a Santinha e a Política Brasileira!

Posted: quinta-feira, 24 de setembro de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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Com esse mote que mais parece título de livreto de Literatura de Cordel, o autor Benedito Ruy Barbosa consegue pulverizar a putrefata classe dos políticos brasileiros.

Por detrás da trama que envolve o amor do “Filho do Demo” pela “Santinha” a novela Paraíso, exibida pela Rede Globo no horário das 18:00 traz uma acentuada carga crítica diretamente endereçada aos detentores de cargos eletivos do nosso país.

Utilizando-se de personagens emblemáticos o autor consegue, nesta versão da sua novela alcançar o objetivo que não lhe fora permitido à época da exibição da sua primeira versão, no ano de 1982, quando vivíamos sob a égide da Ditadura Militar, onde o livre pensamento político era suprimido através da censura aos meios de comunicação.

Durante todo o período em que a novela vem sendo exibida é comum a utilização dos personagens-chave “fazedores de opinião” como o radialista Alfredo Modesto ou o jornalista carioca Otavio para empenhar críticas fortes e oportunas à conduta moral dos nossos “homens de paletó”.

Aproveitando a “deixa” da imprensa nacional que volta e meia divulga um escândalo político, Edmara e Edilene Barbosa, filhas do autor e responsáveis pelo roteiro atual, inflam o cotidiano dos incautos moradores de uma pacata cidade do interior mato-grossense com discursos ásperos de desagrado com o rumo que o erário público toma após seu recolhimento aos cofres do Tesouro Nacional.

Um ponto de vista subtendido pelos autores, é que o dinheiro recolhido pelos contribuintes dificilmente retorna à origem na forma de benefícios. Portanto, é a renúncia popular de Receita promovida pelos moradores da cidade, impedindo que o Governo arrecade os impostos devidos, que faz com que a própria população seja beneficiada através de uma cooperativa local.

Uma clara alusão à “apropriação indébita” promovida pelos Governos em suas jurisdições, gerando uma má distribuição dos recursos arrecadados às áreas de maior necessidade, ou quiçá, às fontes originais da Receita.

Empiricamente sabemos o quanto um programa de televisão, principalmente uma novela, influencia na conduta e nos costumes do povo brasileiro. Uma vez que fora lançada a idéia de um “levante” popular aos maus políticos, esse mesmo público telespectador deveria tomar como exemplo a necessidade de se eleger políticos de conduta ilibada e com ficha limpa!

Se bem que, em se tratando de eleitor brasileiro, para a maioria, político só serve para compra de votos, ou troca de favores, no período eleitoral.

3 comentários:

  1. J. JUNIOR says:

    O TEXTO E BASTANTE COESO. INFELIZMENTE A REDE GLOBO PROCURA INFLUENCIAR AS PESSOAS ATRAVES DE SUAS TELE-DRAMATURGIAS, EM TODOS OS SEGUIMENTOS, INICIANDO NO HORARIO DAS 17:00H COM O PROGRAMA MALHACAO.

  1. André Ayres says:

    Gostei do abordagem! Tb sou mto fã de Benedito Rui Barbosa.

  1. Lincoln says:

    Concordo com o "Junior" que a Globo é tendenciosa. O povo devia ser influenciado pelo Jornal Nacional, invés de seguir modismos das novelas.