Quando teremos Saúde Pública com Dignidade?

Posted: sexta-feira, 20 de março de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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Ao testemunharmos, de forma grotesca, os casos ocorridos no âmbito do atendimento em saúde promovido pelos hospitais da rede pública, Brasil afora, constatamos um imenso descaso patrocinado pelos próprios operadores da saúde.

É lastimável assistirmos, dia após dia, a repetição das mesmas reportagens sobre superpopulação e mau atendimento nos hospitais e ambulatórios.

Nos últimos anos o governo federal destinou boa parte da arrecadação da extinta CPMF para manutenção do Programa de Atenção Básica, o PAB, que contemplou todos os municípios da federação com pomposos repasses financeiros, repassando também a autonomia dos mesmos aos gestores municipais.

Essa atitude foi uma espécie de ‘lavagem das mãos’ da União em relação ao processo de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros junto ao setor de saúde pública.

De fato essa verba da Atenção Básica em muito ajuda no desenvolvimento das atividades cotidianas dos municípios.

Porém, há de se convir que a maior fatia desses repasses, nos menores municípios, é destinada a agraciar os médicos que se propõem a atender os munícipes, através do Programa Saúde da Família.

O PSF, como é mais conhecido, acabou se transformando em uma espécie de ‘Bolsa Medicina’; os altos valores propostos aos médicos para que atuem nas cidades de interior atraem, em sua grande maioria, os recém-formados que buscam, através desse, consolidar o tão desejado ‘pé-de-meia’ antes de decidirem a área médica de sua futura atuação e, posteriormente, buscarem suas vagas nas mais concorridas residências médicas existentes, principalmente, no sudeste do país.

Acontece que nem com tantos (??) médicos da família supre-se a demanda por atendimento, haja visto que o PSF atém-se ao atendimento primário, com intentos preventivos e, ainda que obtendo bons resultados, inflam-se os grandes centros médicos metropolitanos com casos específicos e que fogem ao cotidiano da clínica-geral.

Ou os governos se unem para encontrar soluções concretas de gestão para tornar a saúde pública prioridade, ou o caos perdurará e continuará promovendo as cenas mais lastimáveis e chocantes, como a última exibida pelo Jornal Hoje da Rede Globo em 17 de Março, registrando o exato instante em que uma paciente acometida de um AVC padecia em um leito improvisado em um corredor, enquanto aguardava vaga na UTI desde o último sábado, passados três dias...

2 comentários:

  1. Alinne Souto says:

    É isso mesmo, Manneh! Já se criou esse costume de estudar medicina pra ficar rico, e o PSF já é o ponta-´pé inicial pra se criarem os mercenários da medicina q atuam na nossa região!

  1. Beto Guerra says:

    Digaê Manneh!!

    Concordo sobre as dificuldades da saúde pública e do PSF. Realmente o PSF é lotado por médicos recém formados ou em fim de carreira...mas é um programa excelente pois constitui uma grande porta de entrada e acesso à população.

    Ele serve para não só curar mas, principalmente, prevenir as doenças.

    Constitui uma verdadeira triagem (!!) dos pacientes, a maioria são tratados lá e os demais são encaminhados para serviços secundários e terciários. Tentando diminuir, dessa forma, a procura aos hospitais.

    Os médicos recém formados são aptos a exercer tal medicina pq constitui atendimento primário. O grande problema está nos médicos que estão saindo aos montes de escolas particulares que não dispõe de uma boa formação acadêmica, por não ter hospital-escola adequado, e que não conseguem fazer uma triagem no que precisa e não precisa encaminhar ao grande centro e acaba por lotar estes hospitais.

    E num vá pensando q é dinheiro fácil não pq nos submetemos a morar em outra cidade, sem estrutura nenhuma, viajar semanalmente por estradas horríveis e ter q cuidar de mais de 1000 famílias (muito mais do q o recomendado pelo ministério da saúde).