Per mea culpa, mea maxima culpa!

Posted: sábado, 21 de março de 2009 by Emmanuel do N. Sousa in
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Infelizmente, de forma inconsequente, me utilizei de figuras de linguagens inapropriadas e ofendi alguns profissionais da medicina que, além de operadores em saúde, são meus amigos.

Portanto, junto ao meu pedido de desculpas, tento me retratar à todos, com o texto enviado pelo Dr. Tarcísio Costa Guerra (meu amigo Beto Guerra) que deu uma verdadeira aula de como funciona, cotidianamente, os PSF municipais, me fazendo reconsiderar minhas palavras, da forma como foram colocadas e entendidas!

"Digaê Manneh!!

Concordo sobre as dificuldades da saúde pública e do PSF. Realmente o PSF é lotado por médicos recém formados ou em fim de carreira...mas é um programa excelente pois constitui uma grande porta de entrada e acesso à população.

Ele serve para não só curar mas, principalmente, prevenir as doenças. Constitui uma verdadeira triagem (!!) dos pacientes, a maioria são tratados lá e os demais são encaminhados para serviços secundários e terciários. Tentando diminuir, dessa forma, a procura aos hospitais.

Os médicos recém formados são aptos a exercer tal medicina pq constitui atendimento primário. O grande problema está nos médicos que estão saindo aos montes de escolas particulares que não dispõe de uma boa formação acadêmica, por não ter hospital-escola adequado, e que não conseguem fazer uma triagem no que precisa e não precisa encaminhar ao grande centro e acaba por lotar estes hospitais.

E num vá pensando q é dinheiro fácil não pq nos submetemos a morar em outra cidade, sem estrutura nenhuma, viajar semanalmente por estradas horríveis e ter q cuidar de mais de 1000 famílias (muito mais do q o recomendado pelo ministério da saúde).

Rapaz, acho a proposta do PSF excelente...imagina que qualquer pessoa que adoeça na cidade pode correr e ir se consultar num posto logo ali perto da sua casa, e aqueles pacientes acamados podem receber a equipe em sua casa, que fazem palestras de esclarecimento sobre as principais doenças como hipertensão, diabetes, além do planejamento familiar.

Agora o problema que vejo esbarra na educação do povo. Não se melhora a saúde de um município colocando médico, enfermeira, dentista...se a população não tem esclarecimento o suficiente para ter certos hábitos de higiene, tomar medicação, fazer dieta correta.

Acho que se colocar um médico por habitante ainda assim não resolve o problema, é preciso que se dê o mínimo de educação ao povo.

Sobre a superlotação dos hospitais e sobre os pacientes terem AVC's no corredor creio que pouco é culpa do médico. Enquanto um sofre AVC, outro sofre um tiro...este aqui tem preferência pq pouco se pode fazer com um paciente após AVC, o mais urgente é realizar uma tomografia.

Há superlotação hospitalar pq há poucos recursos, há poucos leitos. Demanda alta acaba por priorizar os atendimentos para aqueles que tem mais chance de sobreviver e são mais jovens. infelizmente é assim que acontece, aquele velhinho com 70 anos e AVC tem poucos anos de vida, se chega uma criança com crise asmática vai ter atendimento prioritário.
Beto, pobre defensor dos médicos oprimidos :D"

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