Um Crime Americano

Posted: terça-feira, 9 de dezembro de 2008 by Emmanuel do N. Sousa in
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Não sei se escrevo para muitos cinéfilos. Mas, dentre os fãs de bons filmes, conto com pelo menos UM entre meus leitores que se enquadra na primeira opção, meu amigo Beto Costa Guerra.

O sentimento que me aflige, ao expô-lo dessa forma, é uma intensa perturbação que me incomoda e me persegue nos últimos três dias, desde quando assisti ao filme “Um Crime Americano”.

Deus do céu! Eu que sou um grande fã de blockbusters do tipo dramas de guerra, Sexta-Feira XIII, O Grito, O Chamado, Jogos Mortais... Mas, NENHUMA dessas mais sanguinolentas películas é tão dura com o sentimento de quem o assiste quanto a produção do diretor americano, Tommy O’Haver que, inclusive é natural de Indiana - EUA, região onde ocorrera o fato narrado pelo filme, no ano de 1965.

É inexplicável; não consigo, até agora, me desprender das imagens protagonizadas pela jovem, e já ‘oscarizada’ Ellen Page, ao representar tão bem a dramaticidade, de uma forma tão verdadeira, o flagelo sofrido através de torturas vãs praticadas por uma mulher seca, doente e viciada a quem fora lhe confiada os cuidados junto à sua irmã na provinciana Indianápolis, na década de 60.

A perversidade retratada no filme me torturou junto à jovem Sylvia Likes. A narrativa me prendeu, de forma que quanto mais me doía assistir tanta atrocidade, mais me comovia com o fato de serem acontecidos reais e, além do quê, a história me forçou a suportar toda aquela carga emocional à espera do final (pasmem!) feliz, impedindo-me de desligar o aparelho de DVD.

A história não é muito conhecida no Brasil, mas rendeu muita polêmica, comoção e revolta entre os americanos à época!

Ainda falando do incômodo, cheguei à conclusão de que o comovente é o fato de que toda aquela violência gratuita estava sendo aplicada à uma criança inocente e mostrada de forma explícita, excelentemente dramatizado pela vítima e seus algozes. Além do mais, os fatos nos remete a vários lares brasileiros por entre as periferias do nosso país, onde sabemos o quanto é comum haverem maus tratos à crianças e idosos.

A jovem Sylvia não foi simplesmente mal-tratada! Além da violência doméstica sofrida, ainda passou pelo ridículo de ter sido transformada num ‘monstro’ de circo; uma 'criatura' a qual todos os vizinhos e colegas de escola visitavam, no porão onde era mantida incomunicável (e imóvel já que fora jogada escada abaixo lhe comprometendo as funções motoras na queda), para ‘extravasar’ se divertindo, lhe aplicando as maiores torturas possíveis e inconcebíveis que iam desde murros até queimaduras com isqueiro ou ferro quente, sem que nenhum, posteriormente ao tribunal, apresentasse qualquer motivo para que tivessem desprendido tais atitudes.

Ainda estou atônito...

Se te aconselho a assistir ao DVD? Não sei se devo aconselhar assisti-lo. Para os psicólogos, é obrigatório! Aos demais, porém, garanto que apesar de duro, explícito, tenso e perverso, trata-se de uma ótima produção, com magníficas interpretações de Ellen Page (Juno, 2007) e Catherine Keener (Capote, 2005) ou, ainda, pelo fato do diretor Tommy O’Haver não ter aplicado nenhum juízo de valor à qualquer das personagens, narrando os fatos à luz dos autos processuais do caso julgado.

1 comentários:

  1. Beto Guerra says:

    Aêeee Manneh!!! kkkkkkkkkkkk Estou emocionado aqui pela homenagem...


    Acabei de chegar em São Paulo e estou sempre vendo suas críticas...


    Por coincidência estava lendo ainda no aeroporto sobre este filme e fiquei louco para ver, na revista eles também elogiavam a condução deste filme e chamava a atenção para a crueldade existente nas próprias crianças, não sei do que se trata porque não vi o filme, mas você deve entender.

    Vou assistir para comentar contigo.

    abraçoss