Eu vi um menino correndo... (Parte II)

Posted: segunda-feira, 24 de novembro de 2008 by Emmanuel do N. Sousa in
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Utilizou-se do cargo de prestígio que ocupara para barganhas políticas, promoção pessoal e desvio de verbas, segundo denúncias de corrupção fartamente divulgadas pela mídia. Inclusive, fato esse que levou seu pai, na época Governador do Estado, a balear o ex-governador Tarcísio Burity, no conhecido “Caso Gulliver”, em 1993 (www.jampanews.com/admin/modules/noticia/?id=5736).
Em 1994, já com a imagem desgastada pela conturbada passagem pela Sudene, elege-se, mais uma vez, Deputado Federal pela Paraíba. Desta feita, o candidato mais votado no pleito, obtendo 157.609 sufrágios.
Nessa época, já em meados de 1996, surge um boato em toda Campina Grande, da insatisfação do já líder político Cássio Cunha Lima com o seu sectário Félix Araújo Filho, prefeito municipal. Inclusive, até hoje permeia-se uma dúvida: houve, ou não houve, o tão versada agressão (fala-se em um murro dado por Cássio em Félix, em pleno Calçadão da Cardoso Vieira)?
O que ocorrera, na verdade, foram discussões e mais discussões acerca de qual o nome seria indicado para suceder Félix no comando do paço municipal.
Na reunião definitiva, eu estava lá! Ainda menino, mas muito presente nessas questões, passivamente acompanhando meu pai nos eventos políticos.
Definitivamente, Cássio já era o líder maior do grupo político, e ouvira de sua própria boca da insatisfação com que tomava conhecimento dos desmandos administrativos e do desgaste do atual prefeito e, conseqüentemente, do seu paiol. E, anunciava, que não haveria outro jeito, apesar de não fazer parte do seu projeto, mas o candidato deveria ser ele próprio.
Foi nessa reunião que Rômulo Gouveia foi escolhido para ser seu candidato a vice. No mesmo dia, à noite, o Gordinho seria anunciado. Ao invés disso, para surpresa do próprio Rômulo, o anunciado como companheiro de chapa fora o histórico vereador Lindaci Medeiros.
A disputa em 1996, mais uma vez contra o outrora arqui-rival Enivaldo Ribeiro, geraria o terceiro e decisivo ‘round’, onde Cássio fora alçado vencedor, garantindo-se com a expressiva votação obtida na Zona Rural campinense, totalizando 72.185 votos, colocando 8.111 votos de maioria sobre Enivaldo.
Foi daí que surgiu a mítica de que a Zona Rural era área impenetrável do Grupo Cunha Lima.
Pela primeira vez Cássio Cunha Lima conclui um dos mandatos ao qual fora eleito! Pasmem, visiona seu cargo até o último ano, uma vez que era reconduzido à disputa do pleito, através do instituto da re-eleição, agora permitida aos mandatários de cargos do Executivo.
A peculiaridade, absurdamente inacreditável, ocorrida na campanha de 2000, demonstrava com clarividência, o menosprezo do homem Cássio ante seus adversários, ou até para com seus próprios aliados: através de uma manobra maquiavélica, de uma atitude vil, anunciava Cozete Barbosa como candidata à vice-prefeita em sua chapa!
Cozete Barbosa era vereadora, à época, porém elegera-se através das inconfundíveis participações à frente do Sintab, onde se confundia o sindicato à sua própria figura altiva e ativa! Dessa forma, Cozete era a principal vilã de todos os gestores municipais campinenses e, mais que qualquer outro, do próprio Cássio Cunha Lima, do qual fora idealizadora de um funeral simbólico, certa feita, conduzindo um féretro para a porta da Prefeitura Municipal representando o gestor campinense.
Pela terceira vez é reconduzido ao cargo de prefeito municipal, obtendo 122.718 votos, contra ínfimos 36.727 votos do, mais uma vez derrotado, Enivaldo Ribeiro que tinha como companheiro de chapa, o atual Deputado Federal Vital do Rego Filho, o Vitalzinho.
Como era de se esperar, sua segunda gestão não ‘começa’; de forma que se evidenciava sua plena candidatura ao governo estadual, ainda quando disputava a re-eleição como prefeito. Em meio ao projeto inevitável, renuncia ao mandato em abril de 2002, objetivando eleger-se governador do Estado.
Em dois combates, o já amado e odiado Cássio Cunha Lima derrota Roberto Paulino, atual vice-governador e postulante à vaga máxima, e é proclamado vencedor em 2º turno, obtendo 752.297 votos em todo o Estado, contra 637.239 de Paulino.
Estava sacramentado o projeto político-pessoal do outrora ‘menino de Ronaldo’, agora, líder máximo da política estadual, tendo como algoz o senador eleito José Maranhão e suas hostes.

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