Eu vi um menino correndo... (Parte I)

Posted: segunda-feira, 24 de novembro de 2008 by Emmanuel do N. Sousa in
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Lembro-me do processo eleitoral de 1986, quando o saudoso tribuno Raimundo Asfora era aclamado candidato à vice-governador na chapa encabeçada pelo grande Tarcísio Burity. O peculiar fora a determinação de que o herdeiro dos votos, e conseqüentemente, da vaga na Câmara Federal de Asfora seria o então “menino de Ronaldo”, o Cássio Cunha Lima, à época com 21 anos de idade e sem nenhuma experiência profissional ou política.
Facilmente assimilado como ‘candidato do grupo’, Cássio é eleito Deputado Federal com a segunda maior votação no Estado, somando 93.236 votos, sendo superado por Antonio Mariz que obteve 106.591 votos naquele pleito.
Começava ali a caminhada política do ‘menino de Ronaldo’, adentrando ao Congresso Nacional em uma época histórica para nossa política contemporânea, para ser um dos nossos Constituintes na elaboração da Carta Magna do Brasil pós-ditadura.
Dois anos mais tarde, em 1988, as forças situacionistas do município de Campina Grande ‘engolem’ a determinação do prefeito Ronaldo C. Lima e dos caciques do PMDB local, entre eles Lindaci Medeiros e Mário Araújo, de lançar (ainda que legalmente impossível – mas, lembremos que falamos de Campina Grande, PB, Cunha Lima... entendem?!?) como candidato à sucessão municipal, o Deputado Federal Cássio C. Lima.
Em meio à promulgação da nova Constituição Brasileira, Cássio disputa uma campanha memorável com o ex-prefeito Enivaldo Ribeiro, onde se sagra vitorioso em 15 de Outubro. Eleito prefeito do município de Campina Grande, com 53.720 votos, uma maioria de 11.954 votos sobre o antigo gestor.
A saga que transformaria o ‘menino de Ronaldo’ no homem Cássio Cunha Lima começava ali!
Cumprira quatro anos de mandato à frente da Prefeitura Municipal de Campina Grande. Nessa época, uma nova forma de governar era implementada em nossa região: um governo jovem, dinâmico, inovador e um governante totalmente avesso à tradicionalismos ou modismos cerimoniais.
Foi nesse primeiro mandato que se implementaram feitos marcantes como a construção do Ginásio “O Meninão”, início da construção do Parque da Criança e a criação da Micarande, além de inúmeras obras de infra-estrutura.
Uma curiosidade dessa época: Cássio era visto, constantemente, passeando pelas ruas da cidade dirigindo seu próprio carro aos finais de tarde, fato esse que o fez um exímio conhecedor do mapa geográfico de Campina Grande em suas vias e em suas deficiências.
Faltando pouco mais de um mês para encerrar seu mandado em 1992, renunciou ao cargo, em favor do seu vice-prefeito, o empresário Francisco (Tico) Dantas Lira, aceitando a indicação para assumir a Superintendência da Sudene, em Recife-PE.
Foi aí onde a metamorfose do menino para homem se concretizou!

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