Voto de Cabresto em Tempos de Democracia

Posted: quinta-feira, 11 de setembro de 2008 by Emmanuel do N. Sousa in
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O Brasil conta com pouco menos de 25 anos desde seu processo de redemocratização, após um longo período ditatorial militar.

Em 1984, os brasileiros bradavam em uníssono pelo direito de votar para presidente no tão aclamado “Diretas Já!”. Movimento que serviu de plataforma de campanha para a inserção de Tancredo Neves como candidato natural à presidente da república, livre da repressão.

Se contarmos a partir das eleições de 1986 até 2006, somamos vinte anos de prática democrática através do exercício livre do voto.

Livre?!?! Democrático?!?!? Que nada!

Se contemplarmos a política numa conjuntura macro da nossa história, constataremos que o voto, apenas, tentou ser livre.

Contamos com uma ampla maioria do nosso eleitorado formada por pessoas da mais baixa renda, desprovida da formação escolar condizente com o nível de esclarecimento que um governo democrático exige. O que provoca a má conduta do voto em direção aos maus políticos. Àqueles que se aproveitam da politicagem para perpetuarem-se nos cargos, tornando-os suas profissões e seus meios de obtenção de barganhas pessoais e institucionais.

Alguns picaretas, em época de campanhas eleitorais, esbravejam em suas propagandas que todos devem valorizar seus votos, a fim de escolher bem o “seu” representante, seja ao parlamento, seja ao executivo.

Porém, o que se constata, através de análises minuciosas ou na plena participação nos pleitos, em geral em verificações in-loco, nos chamados “bastidores” do meio político, é que estas belíssimas palavras recheadas de frases de efeito, somente servem para preencher o recheio dos espaços destinados à mídia. Na prática, os grandes nomes do cenário político brasileiro são construídos, e mantidos, pelo mote popular do “toma lá, dá cá”!

O clientelismo (candidato/eleitor) que se desenvolve na politicagem nacional nada mais é, do que a evolução corporativa do antigo “voto de cabresto”. Desenvolvido e praticado através de uma visão gerencial, utilizando-se de meios modernos de controle de gestão, inclusive Sistemas de Banco de Dados Informatizados!

Claro, que tudo às margens das vistas da Justiça Eleitoral.

Aliás, Justiça, essa, que vem cerceando algumas manifestações de direito cívico e, adversativamente, favorecendo outros, uma vez que os gastos com determinadas mídias agora são destinadas a fins alheios, através das práticas abusivas empregadas nas campanhas.

Tomara que a Justiça não espere ser provocada para começar a agir, pois será tarde demais! A cada alvorada, o dia 05 de Outubro vai se aproximando e as condutas são as mesmas. E ainda vale aquela máxima que diz que “O pior cego é aquele que não quer ver”!

1 comentários:

  1. Thiago Abreu says:

    Concordo com o amigo! Enquanto o TRE se conforma em cassar os direitos à livre manifestação, alguns malas se aproveitam para gir na surdina!
    Ótimo ponto de vista.