Câmara de C.Grande: História Interrompida

Posted: sexta-feira, 18 de julho de 2008 by Emmanuel do N. Sousa in
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O município de Campina Grande, em sua contemporaneidade, observa a formação da sua egrégia Câmara de Vereadores com uma particularidade singular a momentos pretéritos da política local.

Buscando alguns nomes, pela remota lembrança, encontramos alguns personagens caricatos, entre outros que não somos provocados a lembrar pela inexpressividade dos seus atos legislativos ao longo de toda uma (ou mais) legislatura... Nomes sem nenhuma tradição no cenário político municipal, mas possuidores de cadeiras, algumas delas “cativas”, na Câmara Campinense.

O contexto ao qual me refiro, trata-se da conjectura servil aos interesses sociais e populares circunscrito aos antigos legisladores ora eleitos pelo sufrágio dos campinenses. Os detentores dos mandatos eletivos eram grandes batalhadores das causas públicas. Grandes homens e mulheres que serviam, primeiro, à sociedade como cidadãos para, posteriormente, serem alçados à condição de representantes legisladores, muitas vezes atendendo o apelo comunitário.

Essa composição atual, que já não é a primeira nesse sentido, faz da política o inverso do que a História construiu ao longo dos processos eleitorais: personagens já abastados, que beneficiam-se das suas condições sociais, conseqüentemente, abusando do emprego de importâncias financeiras, para ingressarem na política com o objetivo de deterem-se de status quo junto à sociedade, provocando o continuísmo e o comodismo que tanto prejudicam o exercício da democracia, inclusive promovendo a permanência da corrupção ativa e passiva nos processos eleitorais.

Não temos mais engajadas famílias tradicionais como os Barbosa, os Araújo, os Agra, personalidades que se destacaram na História de Campina Grande pelas suas lutas de vida e, também, de morte pelas causas sociais. O grande tribuno Félix Araújo, por exemplo, foi assassinado abraçado à documentos da Câmara Municipal, e em detrimento à dor, clamava que impedissem seu algoz de valer-se de tais laudas.

Esses sobrenomes fazem falta no nosso campo político. Foram grandes batalhas travadas que foram interrompidas e jazem na fraca memória histórica do nosso povo.

Os grandes homens e as grandes mulheres aos quais supra referi-me, ainda estão na batalha cotidiana. Mas, são preteridos à cultura do ‘toma lá, dá cá’ impetrada pelos atuais mandatários das nossas vagas no legislativo mirim.

Infelizmente, essa cultura do eleitor brasileiro desceu a um nível de promiscuidade tal que, nem as Leis impeditivas impostas no período dos pleitos impedem as práticas abusivas e ilegais dos candidatos que se valem da corrupção para almejarem seu sucesso e a manutenção dos seus mandatos como profissão.

Como a casta dos formadores de opinião está diretamente ligada ao nível de escolaridade do nosso eleitorado, votar consciente ainda é um privilégio para poucos. Vendo “de fora” parece que a brava luta dos que se sacrificaram pela instituição da democracia em nosso Brasil foi em vão, visto que os mandatos eletivos não oferecem oportunidade de renovação.

E, nesse caso, o fiel da balança somos nós mesmos! Porém, esse “nós” está cansado de desmandos e descuidos, ao ponto de não mais se importar com quem elege, ou com o quê esse eleito lidará em seu período mandatário do cargo.

Sejamos como a abelha tentando apagar o incêndio da floresta: façamos a nossa parte. E, quando formos notados, quem sabe seremos imitados!

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