"Güenta que é Penta!"

Posted: quarta-feira, 17 de outubro de 2007 by Emmanuel do N. Sousa in
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Já dizia o saudoso jornalista campinense Humberto de Campos: “-Quando leres um texto que começa com a frase “Eu sou de um tempo...”, pode desistir de lê-lo!”
Pois é... Mas, é impossível não comparar nosso presente sem estipular limites pretéritos.
Portanto, EU sou do tempo... (kkkkkkkkkkkkkk)
Sou do tempo do futebol brasileiro. Verdade! Eu vi o futebol brasileiro em ação! Assisti, pela TV ou no nosso popular Estádio Amigão aos mais fantásticos combates futebolísticos da minha geração.
Como era prazeroso assistir aos belos desarmes de Mozer, Ricardo Gomes ou Márcio Santos. E, o que dizer da combatividade de Falcão, Júnior, Dunga, Mauro Silva... Melhor ainda: a categoria de Zico, Raí, Leonardo e, ainda, a objetividade, a raça e a beleza dos gols de Careca, Bebeto, Romário...!
Realmente, minha geração sentiu prazer em assistir jogos de futebol.
Mas, eram jogos mesmo! Não essas ‘disputas de comadres’ que a TV comumente exibe e convida durante todo o dia em chamadas cheias de efeitos especiais e frases entoadas com o maior espírito emotivo.
Além disso, ainda tinha o valoroso espírito de torcedor ao comentar que “...o meu time é a base da Seleção!”. Como, por inúmeras vezes, sagraram-se como base da Escrete Canarinha equipes como Bangu, Botafogo, Flamengo, Palmeiras, Corinthians ou São Paulo.
A Seleção de 1994, para mim, encerrou a participação do futebol brasileiro no cenário esportivo. Foi a pá de cal. E é porque ainda tivemos Bebeto e Romário em franca atuação no melhor das suas fases.
O que se vê atualmente são jogadores muito bem remunerados (desfrutando de benéfices propostas pela mídia das grandes marcas que vê nos atletas a oportunidade de publicidade barata entre os vários meios de comunicação), mas pouco compromissados com o exercício da carreira profissional em função do time que defende e, sim, com o propósito (refletido dos grandes astros da atualidade) de fazerem-se plenamente realizados em termos financeiros e ‘status quo’ junto aos meios de comunicação de massa.
O jogador está cada dia mais determinado a ganhar dinheiro do que desempenhar sua atividade profissional. Foi-se o tempo em que o futebol era uma modalidade marginal do esporte. Hoje, com a globalização e as constantes transferências de jogadores para o exterior, ‘bater bola’ virou uma profissão rentável para os que detém o talento. E, jogar na Europa é o sonho de 10, entre 10, profissionais.
“Defender a Seleção?!?! É... se acontecer e eu não estiver de férias, pode até ser...!”
Esse é o pensamento que presumo ocorrer entre os jogadores brasileiros que defendem os times europeus atualmente.
Antigamente, o caminho era o inverso: destacava-se nos clubes locais, ralava-se muito pra merecer uma convocação pra Seleção, expunha-se internacionalmente, para depois tentar explorar o cenário europeu do futebol profissional.
Hoje, à exemplo do pífio jogador Pato, ex-Inter de Porto Alegre, recém transferido para o Milan da Itália, o atleta com 17 anos já sonha com o cotidiano internacional. Nossos times viraram máquinas de fazer peladeiros.
A Seleção é um acaso!
E, além de tudo, faz tão pouco tempo que nosso selecionado imperou como finalista das últimas Copas que nós mesmos não sentimos tanta falta de um título desse mérito.
Às vezes, acho que seria bom para o esporte local que o Brasil deixasse de figurar em uma edição de Copa do Mundo. Fazer com que a CBF e os chamados ‘medalhões’ da Seleção sentissem vergonha, DE VERDADE, por quatro anos!
Tentar dar uma injeção de ânimo entre os profissionais da bola. Fazer com que se corra atrás de algo. Desde jogadores até os dirigentes da CBF. Buscar a humildade, principalmente. Coisa que não tem existido nesse meio. Tentar ouvir uma crítica por parte da Rede Globo, que também se promove às custas da camisa amarela e seus astros. Acho que jogadores e comissão técnica só assistem sua programação!
Enfim, o meio profissional do futebol nacional precisa buscar se reencontrar com seus propósitos. Como muita coisa nesse nosso país, o futebol virou uma forma de fazer dinheiro de uma forma ou de outra. E, nisto, o brasileiro é craque inato!

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