Trocou a Viola pela Pistola! (Escárnio à Justiça)

Posted: quarta-feira, 31 de outubro de 2007 by Emmanuel do N. Sousa in
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Manchete em todos os portais de notícia nesta tarde de 31.10.2007, o ex-governador Ronaldo Cunha Lima, renunciou ao cargo de deputado federal ao qual fora eleito com 124.192 votos dos paraibanos, em 2006.
Conhecido pelo famoso jargão de campanhas passadas “Troque a Pistola pela Viola”, numa alusão escrachada ao ex-governador Wilson Braga, acusado à época do seu mandato de ser o mandante da execução do jornalista Paulo Brandão, o também poeta Ronaldo Cunha Lima viu-se traído pelo destino ao atacar, covardemente, encorajado pelo álcool e pela sua fiel corja de bajuladores, o seu antecessor no cargo o professor Tarcísio de Miranda Burity, enquanto o mesmo almoçava, sentado à mesa no Restaurante Gulliver, em João Pessoa, nossa capital.
À época, o motivo de tal atitude fora atribuído às denúncias promovidas por Burity através duma emissora de rádio local à Cássio Cunha Lima, seu filho, ex-prefeito de Campina Grande, então Superintendente da SUDENE.
Consumado o fato, Ronaldo C. Lima evade-se para Campina Grande, seu ‘curral eleitoral’, onde mais tarde apresenta-se à Polícia Federal para ser liberado momentos depois.
Dessa liberação até o dia de hoje, 13 anos se passaram e o povo paraibano esqueceu o fato. Pois, em momento nenhum, o acontecido foi motivo de reflexão por parte do eleitorado fanático deste pobre estado. Elegendo, e re-elegendo não só Ronaldo, mas todo o clã Cunha Lima que veio a disputar qualquer mandato eletivo.
Às custas dessa perpetuação em cargos eletivos manteve a ‘imunidade diplomática’ como escudo para o caso e, na próxima segunda-feira, finalmente, o STF o julgaria pelo incidente, beneficiado pelo bendito ‘foro privilegiado’.
Em mais uma manobra clássica, típica da família Cunha Lima, Ronaldo renunciou ao mandato de deputado federal nesta tarde, alegando a nobre honra de querer “...ser julgado como cidadão comum, pelo povo da Paraíba!”. Mas, sabe-se claramente, que a jogada visa promover mais uma cartada de mestre, enviando o processo para Justiça Comum, abrindo-se mais um leque de, aproximadamente uns 15 anos de prolongamento do caso.
É provável que este ‘tiro’ da assessoria do ex-deputado saia pela culatra! Basta lembrar que, recentemente, a justiça estadual já promoveu a cassação do mandato do governador Cássio Cunha Lima, provocando um estarrecimento entre os paraibanos ao testemunharem, pela primeira vez, uma decisão judicial que prejudicasse algum integrante do clã Cunha Lima.
Agora, é esperar pra ver!
No pacote da jogada também está a articulação política para as eleições do ano vindouro, onde o grupo não tem nome nenhum que consiga derrotar o atual prefeito Veneziano Vital. A renúncia também servirá para que Ronaldo Cunha Lima seja “...levado pela vontade do povo” à condição de candidato natural à prefeitura municipal, já que (provavelmente) seu processo judicial ainda estará rolando pela malemolência judicial.
Ainda com respeito à culatra, existe o risco iminente da cassação definitiva de Cássio Cunha Lima! E aí? Já imaginaram o pandemônio que se instalará em Campina Grande no ano de 2008?!?
Pois é... E, sem a máquina administrativa nas mãos para financiar as campanhas do grupo, os familiares terão de se desfazer de algumas vaquinhas lá do Goiás e sacrificar o leitinho das crianças!

"Güenta que é Penta!"

Posted: quarta-feira, 17 de outubro de 2007 by Emmanuel do N. Sousa in
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Já dizia o saudoso jornalista campinense Humberto de Campos: “-Quando leres um texto que começa com a frase “Eu sou de um tempo...”, pode desistir de lê-lo!”
Pois é... Mas, é impossível não comparar nosso presente sem estipular limites pretéritos.
Portanto, EU sou do tempo... (kkkkkkkkkkkkkk)
Sou do tempo do futebol brasileiro. Verdade! Eu vi o futebol brasileiro em ação! Assisti, pela TV ou no nosso popular Estádio Amigão aos mais fantásticos combates futebolísticos da minha geração.
Como era prazeroso assistir aos belos desarmes de Mozer, Ricardo Gomes ou Márcio Santos. E, o que dizer da combatividade de Falcão, Júnior, Dunga, Mauro Silva... Melhor ainda: a categoria de Zico, Raí, Leonardo e, ainda, a objetividade, a raça e a beleza dos gols de Careca, Bebeto, Romário...!
Realmente, minha geração sentiu prazer em assistir jogos de futebol.
Mas, eram jogos mesmo! Não essas ‘disputas de comadres’ que a TV comumente exibe e convida durante todo o dia em chamadas cheias de efeitos especiais e frases entoadas com o maior espírito emotivo.
Além disso, ainda tinha o valoroso espírito de torcedor ao comentar que “...o meu time é a base da Seleção!”. Como, por inúmeras vezes, sagraram-se como base da Escrete Canarinha equipes como Bangu, Botafogo, Flamengo, Palmeiras, Corinthians ou São Paulo.
A Seleção de 1994, para mim, encerrou a participação do futebol brasileiro no cenário esportivo. Foi a pá de cal. E é porque ainda tivemos Bebeto e Romário em franca atuação no melhor das suas fases.
O que se vê atualmente são jogadores muito bem remunerados (desfrutando de benéfices propostas pela mídia das grandes marcas que vê nos atletas a oportunidade de publicidade barata entre os vários meios de comunicação), mas pouco compromissados com o exercício da carreira profissional em função do time que defende e, sim, com o propósito (refletido dos grandes astros da atualidade) de fazerem-se plenamente realizados em termos financeiros e ‘status quo’ junto aos meios de comunicação de massa.
O jogador está cada dia mais determinado a ganhar dinheiro do que desempenhar sua atividade profissional. Foi-se o tempo em que o futebol era uma modalidade marginal do esporte. Hoje, com a globalização e as constantes transferências de jogadores para o exterior, ‘bater bola’ virou uma profissão rentável para os que detém o talento. E, jogar na Europa é o sonho de 10, entre 10, profissionais.
“Defender a Seleção?!?! É... se acontecer e eu não estiver de férias, pode até ser...!”
Esse é o pensamento que presumo ocorrer entre os jogadores brasileiros que defendem os times europeus atualmente.
Antigamente, o caminho era o inverso: destacava-se nos clubes locais, ralava-se muito pra merecer uma convocação pra Seleção, expunha-se internacionalmente, para depois tentar explorar o cenário europeu do futebol profissional.
Hoje, à exemplo do pífio jogador Pato, ex-Inter de Porto Alegre, recém transferido para o Milan da Itália, o atleta com 17 anos já sonha com o cotidiano internacional. Nossos times viraram máquinas de fazer peladeiros.
A Seleção é um acaso!
E, além de tudo, faz tão pouco tempo que nosso selecionado imperou como finalista das últimas Copas que nós mesmos não sentimos tanta falta de um título desse mérito.
Às vezes, acho que seria bom para o esporte local que o Brasil deixasse de figurar em uma edição de Copa do Mundo. Fazer com que a CBF e os chamados ‘medalhões’ da Seleção sentissem vergonha, DE VERDADE, por quatro anos!
Tentar dar uma injeção de ânimo entre os profissionais da bola. Fazer com que se corra atrás de algo. Desde jogadores até os dirigentes da CBF. Buscar a humildade, principalmente. Coisa que não tem existido nesse meio. Tentar ouvir uma crítica por parte da Rede Globo, que também se promove às custas da camisa amarela e seus astros. Acho que jogadores e comissão técnica só assistem sua programação!
Enfim, o meio profissional do futebol nacional precisa buscar se reencontrar com seus propósitos. Como muita coisa nesse nosso país, o futebol virou uma forma de fazer dinheiro de uma forma ou de outra. E, nisto, o brasileiro é craque inato!