Tropa de Elite

Posted: segunda-feira, 24 de setembro de 2007 by Emmanuel do N. Sousa in
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Sinceramente, o Cinema Nacional se superou!
Depois de amargar a fase das pornochanchadas, passando pelo melodrama de “O Quatrilho” e “Central do Brasil”, a indústria cinematográfica brasileira desponta no mercado dos filmes de ação com o impactante “Tropa de Elite”.
Lançado no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, neste final de semana, a película tornou-se um fenômeno de público e vendas antes mesmo de chegar às salas de exibição, com a liberação duma cópia através da internet.
Este filme é um paralelo ao consagrado “Cidade de Deus”; que trata do princípio, do gênese das favelas da cidade do Rio de Janeiro.
“Tropa de Elite” traz pro presente o resultado do mal planejamento urbano nos anos 60 e 70, que consumaram o padrão ‘favelado’ das moradias hoje encontradas nos morros cariocas e seus habitantes.
Aliás, sobre os habitantes, são pessoas de bem, marginalizadas pela nossa sociedade que lutam pela sustentabilidade econômica familiar e pela detenção do direito à vida. Isso, porque a guerra entre polícia e traficantes tem alvo cego. Infelizmente, o ‘acertei no que não vi’ recai sobre os moradores da área, sejam em seus esquivos, ou até mesmo dentro de suas próprias casas.
O passar dos anos mostra que os habitantes das favelas aprenderam a conviver com os traficantes pelo fato dos mesmos serem filhos dos filhos dos seus filhos, etc... Adultos, adolescentes e crianças que sempre prestigiaram do convívio familiar entre vizinhos e que foram crescendo no ambiente criminoso, e se ‘bandeando’ para a forma mais fácil, rápida e perigosa de se conseguir dinheiro, prestígio e poder: o crime, através do tráfico de drogas que impera nos morros do Rio de Janeiro.
O diretor José Padilha conseguiu mostrar os dois lados da moeda com sua produção. Ou melhor, esqueçamos a metáfora da moeda e usemos a do dado. É! O diretor conseguiu mostrar TODOS os lados que estão envolvidos no mundo do crime.
Apesar de discriminarmos os consumidores de drogas, como sendo os principais responsáveis pelo patrocínio ao tráfico, nos deparamos com a figura da Polícia Militar como co-participante DIRETA na manutenção e promoção desse mercado repugnante.
A polícia é mostrada como corrupta e corruptora, ativa e passiva. Tudo partindo do mais alto escalão da corporação. São perseguições internas, roubos, descaso, máfia, formação de quadrilha, intimidação, abuso de autoridade... Enfim, à luz do relato utilizado pelo diretor para compor o roteiro do filme, a polícia merece ser ‘debulhada’ e ‘descascada’. Buscar, caçar e expelir o limo da instituição.
A ação do BOPE cria duas vertentes:
1. somente o grupo especial tático da polícia é confiável e preparada para lidar com os traficantes do morro;
2. a instituição Polícia Militar é a parte despreparada e incompetente, além de conivente com o crime organizado. Não é passível da confiança nem do respeito por parte dos moradores;
Um fato louvável, mostrado no filme, é que a corporação está sempre sendo abastecida de bons homens, de caráter, com personalidade e boas intenções. O que mantém viva a esperança da população em alguma força que lute pelos direitos de ir e vir do cidadão. Estes homens não precisam estar integrados ao BOPE para promover tal valor. Nos quartéis da PM, muitos dos que prezam pela dignidade do serviço público e da carreira militar são engolidos pelo sistema corruptível promovido em toda sua esfera. Os que resistem são reprimidos, mal aproveitados. Os que se corrompem, corrobora com a corrupção internar e detém algum prestígio entre os demais.
Esse tipo de relato, torna-se polêmico por escancarar os bastidores das forças detentoras da obrigação de prover a segurança a população.
Inúmeros oficiais virão às telas da TV mostrarem-se escandalizados com o filme, sentindo-se envergonhados, atingidos, com discursos de perjúrio sobre o cumprimento da lei e da ordem...
Porém, a verdade é a que está lá na ‘telona’.
Infelizmente, no Brasil, onde a justiça, que além de cega se faz de ignorante, espera os órgãos de comunicação como TV Globo e Revista Veja denunciarem OFICIALMENTE os fatos corriqueiros do nosso cotidiano para que seja ‘provocada’ a agir. Mesmo sabendo que o crime habita em seus diversos escalões. À começar da instituição que deveria proporcionar o direito constituição de todo cidadão brasileiro à segurança.
Mais uma vez, salve “Tropa de Elite”; parabéns aos produtores, ao diretor José Padilha e a todos que colaboraram com este relato fidedigno da sociedade carioca, espelho da comunidade brasileira para o mundo.

Espírito Patriota... onde?!?!?!

Posted: terça-feira, 4 de setembro de 2007 by Emmanuel do N. Sousa in
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Semana da Pátria... como?!?!? Semana do quê?!?!
É notório o espírito de insatisfação do povo brasileiro quanto às suas comemorações cívicas.
O patriotismo que deveria exultar no orgulho pessoal não existe mais!
Parece que os brasileiros cansaram de ‘lutar’ por uma causa considerada perdida.
O Brasil, este país abençoado por Deus, donde repousa a maior concentração de água doce do mundo, a maior reserva florestal – a NOSSA Amazônia em toda a sua biodiversidade, um litoral belíssimo banhado por lindas praias em toda a sua extensão territorial e, obviamente, não se pode esquecer de exaltar o próprio brasileiro.
O brasileiro; povo humilde, alegre e acolhedor.
Porém, esse mesmo brasileiro está perdendo o espírito patriota. O civismo é algo em desuso, quiçá brega!
A saga do povo que luta por um país melhor para suas gerações futuras registra as figuras de grandes homens e valorosas mulheres no decurso dos seus 507 anos.
É para isso que estudamos a História. Para valorizarmos e respeitarmos essa empreitada cívica daqueles que sonhavam com uma sociedade melhor, em um país livre e melhor. Eximido das tiranias e das submissões.
A História não deixa esses homens e mulheres morrerem.
Porém, o que está morrendo é o orgulho de ser brasileiro!
Este mesmo país de belezas naturais e de grandes fundações humanas é o mesmo país governado por corruptos e habitado por corruptores. Uma minoria absoluta detém o poder e uma maioria esmagadora se debate em fome, miséria e desamparo social.
A política nacional tratou de enterrar os sentimentos dos nossos heróis pretéritos, que buscavam uma nação livre e igualitária.
Somos reféns desses governantes infames. Esses abutres do poder público!
Estamos na Semana da Pátria.
Próxima sexta-feira, dia 7 de Setembro, comemora-se a Independência do Brasil perante a dominação de Portugal. Em todo o país, aglomeram-se pessoas em volta do Pavilhão Nacional para ouvirem as execuções dos hinos cívicos e se perguntarem o que representa aquilo tudo.
Nesses eventos ‘patrióticos’ muitos vêem, alguns entendem, e poucos respeitam.
Em detrimento aos grandes homens e mulheres que compuseram essa ópera cívica denominada Brasil, devemos, pelo menos, um imenso respeito pelos seus intentos ousados e heróicos.
Portanto, AMEMOS e RESPEITEMOS a nossa Pátria. Ela não tem culpa dos filhos que tem!